Pintar as paredes da barragem de Bemposta, Mogadouro, de amarelo até pode tornar a zona num “activo turístico”, defendeu a EDP, mas só se acreditarmos na tendência natural dos portugueses para parar a ver desastres (neste caso ambientais). Contextualizando. Associado ao processo moroso, duvidoso, mais ou menos problemático e mediático chamado Plano Nacional de Barragens, lançado em 2007, por José Sócrates, a EDP tem realizado “acções” e “iniciativas” nas zonas que serão afectadas pela construção das mesmas. Dentro dessas actividades está previsto um roteiro de Arte Pública, que inclui esta intervenção do artista plástico Pedro Cabrita Reis. Que não se veja aqui nenhuma opinião desfavorável sobre intervenções artísticas em espaços públicos, ou aversão ao risco, à mudança, ao que é novo. O problema é que estão a pintar por cima de um processo de que nunca podemos ver as cores todas e que continua a fazer correr muita tinta (O que vai acontecer no Tua? Em Fridão?). Deixar uma empresa pintar parte considerável dos paredões de uma barragem, que se encontra inserida no Parque Natural do Douro Internacional, com um impacte desta magnitude na paisagem, parece abusivo. A população não gostou muito da ideia (vejam as imagens que a
SIC fez no local) e a Quercus já avisou que o trabalho foi feito sem a autorização necessária do ICNB.