05/07/2010
Selvagens têm pouco peixe
Diana Catarino
Apesar da pouca pressão humana e ao contrário do que se poderia pensar, as águas das Selvagens não são um paraíso para os peixes que nadam nestas paragens. Quem o diz é Nuno Rodrigues, que faz parte da equipa dos etiólogos que integram a expedição da Estrutura da Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC).
O trabalho desta equipa é feito todos os dias, em uma série de mergulhos. Munidos de máquinas fotográficas e de filmar, os "peixólogos", como os colegas lhes chamam em tom de brincadeira, mergulham à procura do que o fundo do mar lhes mostra.

"O meu trabalho aqui reside essencialmente na avaliação das espécies de peixe que por cá existem, os tamanhos, no fundo, caracterizar a biodiversidade etiológica que existe nas Selvagens", adianta o investigador.

A conclusão do grupo, depois de uma semana de mergulhos, é a de que a biodiversidade nas águas em redor das ilhas não é imensa, apesar de ser uma zona isolada e com pouca pressão humana. Entre as espécies já avistadas e identificadas estão os bodiões, as castanhetas e peixes maiores, como o mero ou o peixe-cão.

"São águas no meio do oceano, pobres em nutrientes e o que se verifica é que as espécies que aqui residem não são assim tantas. Os mergulhos ao fim de algum tempo acabam por não trazer nada de novo, a informação vai sendo um bocadinho repetitiva", reafirma.