21/06/2010
À espreita de tartarugas nas Selvagens
Diana Catarino
Aproveitando a missão do ROV no fundo do mar, Thomas Delinger espera ter oportunidade de recolher imagens sobre as tartarugas marinhas e o tipo de alimentação que fazem na região das Selvagens.
O investigador da Universidade da Madeira trabalha com as tartarugas desde 1994, e explica que os primeiros 200 metros da coluna de água em mar aberto são fundamentais para estudar o alimento destas espécies.

Mas, para além de querer estudar o macro-plâncton, o investigador espera ainda avistar alguns dos exemplares que se supõe existirem por aqui. A chamada tartaruga comum ou tartaruga boba é, seguramente, a que mais irá aparecer. Para além desta, também há a possibilidade, ainda que remota, de ver a tartaruga de couro, que pode atingir os 900 quilos, a tartaruga de escamas, a tartaruga verde e uma que apenas nidifica no Golfo do México, sendo a espécie mais ameaçada.

"Não há tartaruga marinha que não seja protegida. As populações de tartarugas marinhas diminuíram nos últimos 80 a 100 anos, uma vez que a população de tartaruga verde diminuiu devido caça para fazer a sopa de tartaruga. Todas elas estão num nível muito abaixo do que seria expectável, desejável e natural", lamenta o investigador.

A ocupação das praias pelo ser humano levou a uma redução de habitat apropriado para nidificar, assim como a caça directa e a recolha de ovos nas praias foram factores determinantes para as tartarugas.

Para além deste problema, a poluição, essencialmente os lixos persistentes como os plásticos, é outra das dores de cabeça. "As tartarugas vicem numa espécie de um deserto, no meio do oceano, zonas onde há pouca produtividade de macro-plâncton. A fase juvenil das espécies leva-as a investigar e tentar comer esse tipo de resíduos", remata Delinger.