 Depois de cinco dias a navegar no Creoula, tempo suficiente para nos habituarmos aos balanços do corpo e dos objectos que vamos poisando aqui e ali, tenho a oportunidade de embarcar no NRP Almirante Gago Coutinho, para perceber em que ponto está o trabalho dos investigadores. |
Pois bem, a primeira tarefa foi vencer o medo de cair no processo de entrada da semi-rígida que nos leva até ao navio, que vai mudando de posição, consoante os mergulhos dos ROV. A verdade é que, para quem não está habituado à imensidão do Atlântico vista duma pequena embarcação, a sensação é, no mínimo, de adrenalina.
Depois de uma curta viagem, embarcamos no Gago Coutinho. A primeira coisa a fazer é receber o cartão de detalhe, que, entre outras coisas, indica qual a jangada a que me devo dirigir em uma situação de emergência e a que área do navio devo acorrer quando tem de haver uma contagem rápida dos que estão a bordo.
No primeiro piso, fazem-se os preparativos para o lançamento do ROV Luso, um aparelho que está a ser testado pela Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC) e que serve para filmar e recolher amostras do fundo do mar, até uma profundidade de seis mil metros. Aqui, ao largo das Selvagens, o aparelho só terá de descer até aos dois mil, que é a profundidade da zona.
Depois de alguns testes feitos na noite anterior, o ROV Luso está quase pronto a submergir. Para além dos técnicos que coordenam a submersão do aparelho, que desce a uma velocidade de mil metros em cada hora, há uma sala de controlo, na qual os cientistas vão observando as profundezas através da câmara e fazendo censos.
Para além do ROV Luso, há ainda mais dois ROV que irão filmar a menos profundidade, bem longe das zonas onde os mergulhadores do Creoula fazem as raspagens e recolhas todos os dias, através de mais de uma vintena de biólogos. |