07/04/2011
Lisboa na 18.ª posição
Cidades “verdes” da Europa

Lisboa ocupa o 18º lugar no ranking do European Green City Index, que avalia e classifica o desempenho ambiental das 30 principais cidades europeias. A pontuação responsável pela classificação atribuída a Lisboa resulta do soma ponderada da classificação obtida em 30 indicadores agrupados em 8 grandes categorias ambientais.

Lisboa no European Green City Index

Lisboa acolhe cerca de 20% da população portuguesa e quase um terço da sua actividade económica. O sector dos serviços é o que mais se destaca (80%), em resultado da reunião dos serviços da administração pública na capital e das actividades desenvolvidas nos sectores financeiro, legal, telecomunicações e consultoria.

No que respeita às questões do ambiente, e comparativamente com outras 30 grandes cidades europeias, o estudo do Economist Intelligence Unit, datada do final de 2009, classifica Lisboa na 18.ª posição com 57,25 pontos (em 100).
Apesar dos bons resultados conseguidos nas categorias energia, edifícios e governança ambiental, o desempenho nas categorias transportes, qualidade do ar, água, ocupação do solo e resíduos mostrou-se abaixo da média.

Os problemas de governação, como a fragmentação e responsabilidades distribuídas pelos órgãos do poder local, regional e nacional, são apontados como factores decisivos para a diminuição da capacidade da cidade implementar e coordenar as suas próprias políticas e, consequentemente, para o resultado geral obtido, embora a vontade e o esforço de Lisboa para a mudança superem os das outras cidades do sul da Europa, como Madrid e Roma.
Analise detalhada por categoria


A performance de Lisboa foi analisada ao detalhe antes da soma ponderada de cada indicador e respectivas categorias que resultou no valor final atribuído à cidade.

Por categoria, o estudo apresenta ainda os argumentos para a classificação atribuída, destacando as principais iniciativas implementadas e as previstas (à data da análise) para melhorar o seu desempenho, bem como a posição no European Green City Index (dados: European Green City Index)

Categoria

Pontuação

Posição

Argumentos

Iniciativas

Geral

57,25

18.

CO2

4,05

22.

Toneladas de CO2 emitidas por habitante.ano (7,5) acima da média (5,2) devido ao grande volume de tráfego que circula na cidade, resultado da insuficiência da rede pública de transportes e dos hábitos da população.Embora não exista uma meta específica para a redução das emissões de CO2, as metas definidas para a eficiência energética contribuem indirectamente para esta redução.
Energia

5,77

9.

Terceiro menor consumo de energia por habitante (49 gigajoules/ano), que se posiciona abaixo da média (81 gigajoules/hab.ano).
Quase 10% da energia provem de fontes renováveis.
Estratégia para reduzir em cerca de 9% o consumo de energia no período 2009-2013.
Políticas de âmbito nacional definem metas para o fornecimento energético a partir de fontes de energias renováveis.
Edifícios

7,34

11.

Embora a idade média dos edifícios seja de 35 anos e a aplicação de normas para a eficiência energética sejam recentes e bastante exigentes, as iniciativas para a promoção da eficiência junto da população ainda não são suficientes.Legislação de 2009 obriga à certificação energética de todos os edifícios novos, reabilitados e transaccionados (aluguer ou venda).
Transportes

4,73

25.

Uma em cada três pessoas desloca-se em veículo próprio.
As ciclovias são quase inexistentes, em parte devido à topografia da cidade.
Apesar de 44% da população utilizar as redes de transportes públicos (comboio, metropolitano e autocarro), apenas uma pequena percentagem da oferta de meios corresponde a carros eléctricos (eléctricos e tram) e a autocarros movidos a gás natural.
Projecto de expansão da rede de metropolitano.
Projecto-piloto que visa a promoção do car-pooling entre funcionários públicos.
Introdução de autocarros híbridos na rede de transportes públicos.
Instalação de pontos de carregamento para veículos eléctricos (1 100 até 2011).
Água

5,42

24.

Embora esteja a meio da tabela no que respeita ao consumo de água (87 m3/hab.ano, quando a média é 105m3/hab.ano) os aspectos qualitativos da gestão de água, não são tão positivos, nomeadamente no que respeita às perdas (46%).Projecto para a cobertura total da rede de saneamento.
Estratégia para a Energia e Ambiente (2008) define uma redução de 15,6% das perdas até 2013 e a redução do consumo de água em 7,8%.
Resíduos e Uso do Solo

5,34

22.

Politicas de gestão de resíduos inadequadas que pouco consideram a prevenção, redução, reutilização, reciclagem e uso do solo.
Existência de pontos onde aos esgotos não são encaminhados para a rede de saneamento.
Produção anual de resíduos per capita ligeiramente acima da média (538 kg contra 511 kg).
Taxa de resíduos encaminhados para a reciclagem (7,1%) muito abaixo da média (18%).
Estratégia para a Energia e Ambiente (2008) define a diminuição da procura de materiais não recicláveis em 10% e o aumento da taxa de reciclagem para 29% em 2013.
Qualidade do Ar

4,93

24.

Embora os níveis de SO2 e de O3 não sejam muito elevados, o mesmo já não acontece com o NO2 e as partículas.
Deficit de políticas para promover a qualidade do ar e para a diminuição do tráfego rodoviário.
Políticas para o abastecimento a partir de fontes de energia renováveis e para a redução do consumo energético, são potenciais contributos para aumentar a qualidade do ar na cidade.
Governança Ambiental

8,22

12.

Definição e implementação de planos sustentáveis, como é exemplo a Estratégia para a Energia e Ambiente (2008), embora apenas foque os temas água, energia e resíduos, não abrangendo outras temáticas ambientais.
Abertura da cidade para a participação pública na discussão dos planos.
Assinatura do Pacto dos Autarcas, que visa a redução das emissões de CO2 em 20% até 2020.