| 26/04/2011 | | | Do cano à torneira | | | Desmistificar odores e sabores | | | | |  | A água da rede pública (ou da torneira) é um produto de confiança e qualidade, que garante o respeito pelos melhores procedimentos e rigorosas medidas de controlo. Conheça as respostas dos sistemas de abastecimento e autarquias às questões mais pertinentes sobre o sabor e cheiro da água que chega a sua casa para que, de uma vez por todas, troque as garrafas de plástico pelo copo na hora de matar a sede. | | | | | | | Sabor e cheiro | Alguns cheiros e sabores não são muito agradáveis para a maioria da população e por isso tornam-se entraves (justificação) para o não consumo da água da torneira. Estes podem resultar do uso de cloro, das características naturais da água na região, das mudanças sazonais ou das canalizações domésticas. Cloro O cloro é um desinfectante habitualmente empregue para tratar a água. É essencial que a água seja segura e não contenha nenhuma bactéria ou germe patogénicos, sendo por isso adicionado nas estações de tratamento. Para assegurar a desinfecção ao longo do sistema de abastecimento, há pequenas quantidades de cloro que permanecem na canalização. Este facto pode resultar no “vulgar” cheiro e sabor a cloro, sem que tal signifique que haja qualquer problema com a água. Pelo contrário, é o selo de garantia de uma água com boa qualidade. Características locais Nas zonas calcárias o sabor da água é bastante desagradável e mesmo a sua utilização na preparação de chá, café, tisanas ou caldos poderá alterar o sabor destas bebidas e o sabor dos alimentos quando utilizada na sua cozedura. Embora possa causar avarias e problemas ao nível das máquinas, canalizações e equipamentos quando aquecida acima de 60ºC, a água “calcária” (ou água “dura”), não causa problemas de saúde, pelo contrário, esta é rica em cálcio e magnésio, necessários ao nosso organismo. Mudanças sazonais Muita da água que bebemos é captada nos rios ou albufeiras, ou seja à superfície. Estas fontes estão sujeitas às condições e por isso acontece por vezes que nos meses quentes e secos no Verão a água apresente cheiro e sabor a terra antes do tratamento. O tratamento remove a maior parte destes cheiros ou sabores mas, por vezes, esta não é completa e a água chega à torneira com cheiro e sabor a terra. Beber desta água não acarreta problemas para a sua saúde pois este cheiro e sabor são inócuos. | | | |  Canalização Apesar do tratamento com cloro, é no troço da rede doméstica, ou seja, desde a ligação da rede pública ate à torneira que pode acontecer a colonização de microrganismos ou a afectação da água pelos materiais da própria canalização. São exemplos de “sintomas” da água em resultado do tipo de material da canalização: - os sabores metálicos ou amargos provocados por canalizações novas em cobre;
- os sabores a plástico provocados por canalizações em plástico;
- os sabores a metal ou borracha, provocados pelas torneiras;
- o sabor a desinfectante ou plástico, provenientes de torneiras, canalizações de plástico e de mangueiras usadas nas máquinas de lavar louça e roupa.
No que respeita aos metais, o cobre, o ferro e o chumbo são os mais encontrados na água. Normalmente o cobre e o ferro aparecem em concentrações baixas e não são perigosos embora possam contribuir para a coloração enferrujada da água. Esta ocorre quando grandes quantidades de ferro estão presentes, ou quando a água está parada nos canos por algum tempo (nas férias, por exemplo) e pode ser uma indicação de problemas de deterioração dos canos. Cuidados acrescidos devem ser tomados no que respeita às canalizações em chumbo pois este metal tem um impacto muito negativo na saúde de qualquer pessoa que o consome, mesmo em pequenas quantidades. As crianças são muito mais vulneráveis que os adultos a intoxicações por este metal, pois armazenam 50% do chumbo ingerido contra apenas 10% pelos adultos. Dos problemas detectados são exemplos o atraso escolar, o baixo quociente intelectual, os problemas de comportamento e problemas renais (hipertensão renal e insuficiência renal). Outro problema é detectado com o sabor a “mofo” da água e pode dever-se à sua estagnação nas condutas durante um largo período de tempo (redes de incêndio, tubagens mal concebidas, onde a água é insuficientemente renovada, ou canalização para abastecimento da caldeira do aquecimento central.) e ode dever-se ao desenvolvimento de certo tipo de bactérias ou à redução do oxigénio dissolvido na água. Este cheiro a mofo pode igualmente resultar após “falta” de água prolongada. Nas instalações novas ou após reparações, a água tem, por vezes, um mau sabor, devido ao emprego inadequado de massas vedantes utilizadas na canalização. O sabor desaparece, após um certo tempo de consumo de água.
| | | Aspecto | A cor branca da água que sai da torneira é outro dos impedimentos para o consumo da água da torneira. Ao contrário do que muitos pensam esta não se deve ao excesso de cloro adicionado, à presença de calcário na água ou à sua má qualidade, antes pelo contrário, a água é de boa qualidade. O efeito deve-se a pequenas bolhinhas de ar presentes na água devido a um efeito semelhante ao que ocorreria se a água fosse batida num liquidificador. Estas pequenas bolhas de ar na água que sob radiação luminosa a tornam com um aspecto leitoso, facilmente desaparecem quando as bolhas sobem até a superfície e desaparecem, tornando a água de novo clara e transparente. Quando o sabão, detergentes ou champôs não fazem espuma na água, não significa que esta tenha má qualidade para beber ou que seja necessário adicionar uma maior quantidade destes detergentes. Apenas significa que a água é “dura”. A dureza da água é geralmente uma medida da quantidade de cálcio e magnésio expressa como carbonato de cálcio. Diz-se que a água é “mole” se tiver uma baixa concentração de cálcio e magnésio e, “dura” se essa concentração for alta. Como já descrito, a dureza da água não tem qualquer efeito na saúde humana. | | |
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