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16/09/2011
Bem tratar o lixo
Ecoparque da Abrunheira
Os resíduos produzidos diariamente pelos munícipes de Cascais, Mafra, Oeiras e Sintra são tratados pela Tratolixo sob o lema «tratamos hoje do amanhã!». Foi a pensar numa solução sustentável integrada que esta empresa intermunicipal está a construir o Ecoparque da Abrunheira que, a par de outras infra-estruturas já existentes, permite respeitar os princípios da sustentabilidade estabelecidos nacional e internacionalmente.
Ecoparques para o tratamento sustentável dos resíduos

A gestão integrada do sistema de tratamento de resíduos sólidos urbanos (RSU) dos municípios de Cascais, Mafra, Oeiras e Sintra é da responsabilidade da empresa Tratolixo. O sistema dispõe de uma unidade de tratamento e valorização de RSU em Trajouce (concelho de Cascais) que recebe e trata anualmente cerca de 480 mil toneladas de RSU, produzidas pelos cerca de 900 mil habitantes da sua área geográfica de intervenção; e uma segunda unidade de digestão anaeróbia (ainda em construção) na Abrunheira (concelho de Mafra). Os investimentos realizados e previstos na requalificação e construção das diferentes infra-estruturas existentes e previstas para os ecoparques de Trajouce e da Abrunheira, visam dotar o sistema com as mais recentes tecnologias e soluções para a valorização de resíduos, com vista à diminuição da deposição em aterro.

Foi a constatação (em 2003) de que a capacidade do aterro sanitário existente em Trajouce estava esgotada que levou a pensar numa solução sustentável integrada, concretizada no Plano Estratégico de Resíduos para os concelhos de Cascais, Mafra, Oeiras e Sintra (PERECMOS), que estabeleceu as grandes linhas de orientação estratégica, os pressupostos de base, os objectivos e as prioridades do sistema AMTRES (Associação de Municípios de Cascais, Mafra, Oeiras e Sintra).
Actualmente em fase de implementação do Plano, já é aproveitado energeticamente o biogás produzido no aterro de Trajouce e já é produzido Combustível Derivado de Resíduos (CDR) Premium – um produto exclusivo da Tratolixo – em condições de comercialização. Entretanto é chegada à fase final do Ecoparque da Abrunheira e a implementação do novo Plano Director em Trajouce.

Ecoparque de Trajouce

  • Unidade tratamento mecânico e biológico (TMB) por Compostagem
    • Capacidade nominal de recepção de RSU indiferenciados = 150 000 toneladas/ano                            
    • Capacidade nominal de tratamento = 500 toneladas/dia
    • Capacidade de tratamento biológico = 60 000 toneladas/ano
  • Ecocentro
  • Estação de transferência de RSU e resíduos de embalagens
  • Unidade de aproveitamento energético do biogás do aterro


Ecoparque da Abrunheira
(em construção)

  • Central de digestão anaeróbia (CDA)
  • Três células de confinamento técnico (CCT) de apoio
  • Estação de Tratamento de Águas Residuais Industriais (ETARI)
  • Ecocentro

No Ecoparque da Abrunheira o “futuro é hoje”

Dizem que com o Ecoparque da Abrunheira a Tratolixo vai posicionar-se “entre os melhores do sector dos resíduos”. As novas unidades (ver quadro) assumem uma importância fulcral de toda a estratégia de gestão de resíduos da Tratolixo, uma vez que em funcionamento irão contribuir para a redução de custos actualmente suportados para o tratamento dos resíduos e o seu encaminhamento a destino final. Está previsto que a nova central de digestão anaeróbia (CDA) permita tratar a totalidade dos resíduos produzidos no Sistema (receberá anualmente cerca de 200 000 toneladas de resíduos), privilegiando a valorização orgânica e energética dos resíduos urbanos biodegradáveis (RUB), desviando-os da deposição em aterro, por exemplo.

A CDA é, à data, a maior unidade de tratamento do país e contemplará uma linha da central para o processamento dos resíduos orgânicos recolhidos selectivamente, e duas linhas, para o processamento dos resíduos indiferenciados, havendo tratamentos distintos para os diferentes tipos de resíduos e produção de um composto de classe I (do tratamento dos resíduos recolhidos selectivamente) e de um composto de classe III, de qualidade inferior (do tratamento dos resíduos indiferenciados).
A par da valorização orgânica, a CDA irá possibilitar a recuperação de uma quantidade significativa de materiais para a reciclagem. Mas o que se irá extrair da grande massa de resíduos não fica por aqui. Durante o processo, parte da matéria biodegradável é transformada em biogás (gás essencialmente constituído por metano que é um gás combustível) e em lama digerida. O gás (fonte de energia renovável) é aproveitado e transformado em energia eléctrica que segue para a Rede Eléctrica Nacional (REN) e a lama digerida é estabilizada por compostagem dando origem a composto com possível valor comercial.
Em resumo, os resíduos produzidos pelos habitantes são transformados na CDA em valor económico que resulta da venda de energia renovável e da venda de recicláveis e composto.

Por ano a CDA vai receber e tratar…

  • 40 000 Toneladas de RUB provenientes da recolha selectiva
  • 160 000 Toneladas de resíduos indiferenciados


Por ano a CDA vai valorizar…

  • 7 460 Toneladas de embalagens de plástico
  • 84 Toneladas de cartão para alimentos líquidos
  • 3 552 Toneladas de papel e cartão
  • 2 528 Toneladas de metais ferrosos
  • 556 Toneladas de alumínio
  • 11 160 Toneladas de combustível derivado de resíduos (CDR)


Por ano a CDA irá produzir/gerar…

  • 20 474 Toneladas de composto
  • 18,3 GWh de energia (o suficiente para abastecer cerca de 2 465 famílias)                                                        

Junto à CDA serão construídas 3 células de confinamento técnico de apoio que ocupam 11 hectares (o equivalente a 11 campos de futebol) e que podem receber 2 445 000 m3 dos resíduos que sobram dos processos de tratamento e valorização de resíduos (refugos) e os inertes produzidos nos concelhos da AMTRES.
Já em construção está também uma ETARI com capacidade para o tratamento (depuração) de 280 m3/dia de águas residuais provenientes da CDA, das células de confinamento técnico de apoio e das instalações de apoio ao Ecoparque da Abrunheira. Resulta da ETARI uma água tratada com qualidade necessária para que possa ser reaproveitada na rega, lavagem e utilizações industriais, nomeadamente, como água de processo da digestão anaeróbia.
Um ecocentro de 3 800 m2 irá receber cerca de 15 400 toneladas/ano de diversos tipos de resíduos recicláveis e que não podem ser colocados nos ecopontos (devido à sua dimensão e tipo), que apoiará os já existentes, nomeadamente o ecocentro da Ericeira e o ecocentro de Trajouce.

Alguns números “trocados em miúdos”

Compostagem
“Cada tonelada de resíduos indiferenciados tratados gera aproximadamente 80 kg de composto”
Em 2009, a Tratolixo produziu 14 365 toneladas de composto, o suficiente para adubar 1 436 hectares de jardim (uma área equivalente a 1 436 campos de futebol)

Reciclagem do vidro
“A reciclagem de uma tonelada de cacos de vidro origina uma tonelada de vidro novo”
Em 2009, a Tratolixo valorizou 25 180 toneladas de vidro, o equivalente a cerca de 30 570 000 garrafas.
“Por cada garrafa de vidro reciclada poupa-se o equivalente à energia consumida por uma lâmpada de 20 W durante 20 horas”

Reciclagem do alumínio
“Cada 50 kg de alumínio usado e reciclado evita a extracção do solo de 5 000 kg de minério (bauxita)”
Em 2009, a Tratolixo valorizou 26 700 kg de alumínio, o suficiente para evitar a extracção de 2 670 000 kg de bauxita.

Reciclagem do papel/cartão
“Cada tonelada de papel enviado para reciclagem evita o abate de aproximadamente 12 árvores”
Em 2009, a Tratolixo valorizou 25 180 toneladas de papel e cartão, permitindo poupar mais de 300 000 árvores.

Valorização energética
Desde Agosto de 2009, o aproveitamento energético produzido no aterro sanitário de Trajouce gera 5,7 GWh/ano.
Após a abertura da CDA da Abrunheira a Tratolixo passará a valorizar energeticamente 200 000 toneladas / ano de resíduos.
Recorrendo a lâmpadas economizadoras (consumo médio de 11,25 kWh/mês) o total desta energia será suficiente para iluminar o lar de 178 109 famílias.


Ler também:
  -  Tratar hoje do amanha
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