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30/09/2010
Melhor ar, Menos Ruído
Novo pavimento silencioso em Lisboa
Para tornar a Baixa Pombalina mais simpática para os moradores e transeuntes, a autarquia lisboeta vai implementar várias medidas para a diminuição da poluição do ar e sonora. Alterações ao esquema de circulação, semáforos de controlo de velocidade, autocarros híbridos e um novo pavimento, prometem diminuir o ruído ambiente e tornar o ar mais respirável para todos aqueles que moram, trabalham ou passeiam na Baixa. Quer saber porquê?
Uma questão de qualidade ambiental e de saúde pública
Em Portugal, a maior parte dos centros da cidade são sinónimo não só de ruas estreitas, monumentos e casas antigas mas, infelizmente, também são sinónimo de trânsito e poluição atmosférica e sonora, dores de cabeça e mal-estar dos residentes, trabalhadores e visitantes.
O ideal seria eliminar a circulação automóvel (responsável por 80-90% da poluição sonora nas cidades) promovendo a utilização de transportes públicos e bicicletas ou mesmo do pagamento de “portagens” para os veículos poderem entrar na cidade.
Não sendo de todo possível, outras soluções encontradas passam por alterar o tipo de veículos emissores, garantir o cumprimento das regras de velocidade e alterar as características da via de circulação através da colocação de “pavimentos silenciosos”.
Veículo + velocidade + pavimento = ruído

O ruído provocado por um veículo advém maioritariamente do funcionamento do motor e do contacto dos pneus com o pavimento, este mais sentido na deslocação a grande velocidade.
Tomando a equação e as suas variáveis, e dado que não é possível diminuir mais o número de veículos na Baixa ("reduziu quase 45% nos últimos dois anos e estabilizou". Fernando Nunes da Silva, vereador da Mobilidade da Câmara de Lisboa, citado pelo DN), as medidas a implementar pela Câmara Municipal de Lisboa para minimizar o ruído originado pelo tráfego rodoviário passam por:

  • Instalar na Baixa e na zona ribeirinha de Lisboa, entre Santa Apolónia e o Cais do Sodré, um sistema de semáforos de controlo de velocidade que “obrigam” os condutores a manterem uma velocidade média de 40 km/hora.
  • Substituir os autocarros que circulam na Baixa por veículos híbridos, mais silenciosos que os actuais. (Medida a implementar pela Carris).
  • Aplicar um novo pavimento que absorve o ruído do trânsito nas ruas do Ouro e da Prata, as que registam um maior volume de tráfego

Ao nível do edificado:

  • Promover a utilização comercial dos primeiros pisos dos edifícios e a habitação nos superiores, sujeitos a menores níveis de ruído.
  • Fomentar a melhoria das condições de isolamento acústico dos edifícios através de soluções como a substituição de janelas simples por outra de vidro duplo.
Ar respirável
O efeito esperado da implementação destas medidas será ainda ao nível da melhoria da qualidade do ar da Baixa uma vez que a emissão de gases poluentes irá diminuir com a circulação automóvel a baixa velocidade e com os novos autocarros híbridos. Notar que "basta passarem dez autocarros - dos actuais - por hora numa rua para serem ultrapassados os limites de poluição e ruído admissíveis em zonas residenciais" (Fernando Nunes da Silva, vereador da Mobilidade da Câmara de Lisboa, citado pelo DN).
Agenda de trabalhos (previsão)

Setembro de 2010
Instalação de semáforos de controlo de velocidade

A partir de 2011
Substituição dos autocarros que circulam na baixa por veículos híbridos
Aplicação de novo pavimento “anti-ruído”


Ruído do tráfego automóvel e pavimentos

O ruído provocado por um veículo tem fundamentalmente três componentes a originada pelo motor, o efeito aerodinâmico e o contacto do pneu com a via.
A velocidade de circulação condiciona a contribuição de cada uma das componentes para o ruído originado pelo veículo. A baixas velocidades predomina o efeito do ruído do motor, enquanto que para altas velocidades, como no caso das auto-estradas, o efeito do contacto pneu/pavimento é a principal causa do ruído. (…)
Neste contexto, torna-se importante o desenvolvimento de soluções que visem reduzir os níveis de ruído próprios dos mecanismos de contacto dos pneus dos veículos com a superfície da via, através da utilização pavimentos em que as camadas de desgaste possuam características de baixa emissão sonora. A investigação desenvolvida neste domínio conduziu à utilização de “pavimentos drenantes”, e mais recentemente à utilização de pavimentos integrando betume modificado com borracha reciclada de pneus.
(Avaliação do Efeito do Pavimento no Ruído de Tráfego Rodoviário, de Carlos Guerra e Fernando Palma Ruivo)

No sentido de reduzir o impacto ambiental, traduzido pela redução do ruído rodoviário, na Europa e mais recentemente nos Estados Unidos, têm sido desenvolvidos alguns projectos. Os projectos europeus SILINCE e HARMONOISE têm como objectivo chamar a atenção para a problemática do ruído e proporcionar ferramentas para uma redução efectiva do ruído. (…) (Estudo da Eficácia dos Pavimentos Drenantes na Redução do Ruído Rodoviário para as Condições Seco e Molhado, de Adriana Santos, Elisabete Freitas, Luís de Picado-Santos)


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