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20/02/2012
Parques Urbanos
Ondas de verde em plena cidade
Os espaços verdes, em particular os parques e jardins, marcaram desde sempre a paisagem das cidades, disseminando-se na malha urbana como locais aprazíveis para o descanso e lazer, num reencontro com a natureza. Nos últimos anos os projectos e implementação dos parques urbanos têm-se difundido por todo o país. Aleatoriamente, escolhemos alguns dos muitos locais públicos onde pode usufruir do “verde” da maneira que bem entender.
Parque Urbano
O parque urbano é um equipamento social estruturante do tecido urbano, fundamental para a melhoria da qualidade de vida das populações e do ambiente das cidades.
Normalmente traduzem-se em extensões de dezenas de hectares de “verde” no coração da cidade, que garantem a continuidade dos ecossistemas naturais, a regularização microclimática, a purificação da atmosférica e a protecção e valorização da água e dos solos.
São lugares acessíveis e aprazíveis para o apoio a actividades de recreio e lazer, com uma estrutura funcional que dá liberdade de movimentação aos utentes por toda a área disponível, sem restrições aos arruamentos e às áreas pavimentadas.
No parque, à excepção dos caminhos, nenhum dos espaços fica cativo de uma utilização definida, o parque não se deixa perceber, ele não tem nenhuma finalidade expressa mas revela, no conjunto e em cada sítio, a ideia de um “espaço livre” (Pardal, 1997), que se presta a uma utilização menos condicionada, a comportamentos espontâneos e a uma estada descontraída por parte da população utente. (Lynch, 1990).
Parque da Cidade – Porto
O Parque da Cidade é o maior parque urbano do país e uma das “100 obras mais notáveis construídas do século XX em Portugal” (Ordem dos Engenheiros, 2000). Localiza-se na zona ocidental da cidade do Porto, numa peculiar parcela de terreno, inserida numa paisagem composta por áreas ecológicas diferenciadas, que integram a praia, o tecido urbano, e algumas parcelas rurais. São 83 hectares de áreas verdes naturalizadas que se estendem até à orla marítima, um detalhe invulgar para um parque público ao nível mundial.
Beneficiando de óptima acessibilidade através de dois dos principais eixos da cidade, a avenida da Boavista e a Estrada da Circunvalação, bem como da praia e zona marginal, o parque é utilizado por um grande número de visitantes em todas as épocas do ano.

Projectado pelo arquitecto Sidónio Pardal, a construção do parque teve início em 1990, sendo inaugurada a primeira fase em 1993, a segunda em 1998 e a terceira, e última, em 2002, com a construção da frente marítima.
Na sua concepção paisagística foram utilizadas muitas das técnicas tradicionais da construção rural, onde a pedra proveniente de demolições predomina nos muros, estadias, charcos drenantes para a retenção de águas das chuvas, descarregadores de superfície dos lagos, tanques, abrigos, bordaduras de caminhos e pavimentos. Tudo o resto é um curioso exercício de modelação da paisagem onde um rico e diversificado conjunto vegetal desempenha vários papéis como o de barreira de isolamento acústico e visual nas bordaduras do parque, regulação do microclima na frente marítima, sombra, protecção e estabilização das margens dos lagos, criação de efeito surpresa ao longo dos caminhos, entre outros. São 74 espécies arbóreas, 42 espécies arbustivas, 15 espécies de árvores de fruto e 10 espécies aquáticas, num total de várias dezenas de milhares de exemplares. A modelação do espaço permitiu ainda melhorar todo o sistema de drenagem resultando numa maior infiltração da água no solo e na criação dos lagos.
Ao longo do Parque da Cidade é possível caminhar, correr ou pedalar por uma longa rede de caminhos (cerca de 10 km) intervalados por diversas estadias integradas na vegetação envolvente, as quais são locais isolados de contemplação ou de descanso em contacto directo com os relvados e áreas arborizadas. Vaguear pelo parque permite ainda observar vários animais que se fixaram de forma natural, como patos bravos, cisnes, gansos, galinhas de água, peixes, sapos, rãs, coelhos, repteis, etc., ou outros que o aproveitam como local de descanso durante o percurso migratório, entre os quais a garça.
No que respeita aos espaços com utilização pré-definida, destacam-se o Pavilhão da Água, que esteve em exposição na Expo`98; o Núcleo Rural de Aldoar (resultado do restauro e recuperação de quatro quintas rurais), onde existe um restaurante, um salão de chá com esplanada, um picadeiro de póneis e um centro de educação ambiental; e a Quinta 66, que possui várias lojas de comércio justo, artesanato e agricultura biológica.

Fazer um piquenique, jogar à bola, namorar ou tão simplesmente aproveitar o sol deitado na relva, são outras das “mil e uma” formas de aproveitar e desfrutar do Parque da Cidade.
Parque Urbano do Rio Ul – São João da Madeira
Projectado pelo arquitecto Sidónio Pardal, o Parque Urbano do Rio Ul conta com uma área verdejante de cerca de 30 hectares no vale envolvente ao rio Ul, em São João da Madeira.

Inaugurado em 2008, a intervenção no vale decorreu em paralelo com a despoluição do Ul e contou com a plantação de milhares de árvores, o realinhamento e alargamento do leito do rio, a estabilização das margens, a construção de 5 açudes de regularização, a edificação de muros e estadias em granito, a delineação de percursos pedonais relvados, a instalação de um sistema de rega semi-automática (abastecido pelas captações nas albufeiras dos açudes do próprio parque) e a colocação de bancos, bebedouros, placas informativas e de sinalização.
O meio foi modificado para albergar o parque e dar o enquadramento necessário para que as pessoas se sintam na natureza e “longe” da cidade, voltando a usufruir do rio e acompanhando o crescimento do espaço verde, que continuará a desenvolver-se ao longo dos anos até ganhar toda a naturalidade projectada.
Parque Urbano do Rio Diz - Guarda
O Parque Urbano do Rio Diz, a principal intervenção do Programa Polis na Guarda, foi inaugurado em 2007, ocupando uma área de 21 hectares inspirada nas paisagens naturais.
Constitui um elemento fundamental na estrutura verde da cidade criando, ao mesmo tempo, um espaço público de lazer vocacionado para o contacto directo com a natureza e para o convívio, recreio, lazer e desporto livre da população.
Um espelho de água com 11400 metros quadrados, zonas verdes, parque infantil, área de animação semi-coberta e cafetarias são algumas das atracções que os visitantes poderão encontrar neste espaço.
Parque Urbano da Ribeira dos Mochos – Cascais
O Parque Urbano da Ribeira dos Mochos localiza-se em Cascais, numa área de cerca de 41 mil metros quadrados envolvente à Ribeira dos Mochos, uma das principais linhas de água do Concelho, com caudal intermitente e de regime torrencial.

O parque está integrado na Rede Ecológica Nacional e foi inaugurado a 5 de Junho (dia do ambiente) de 2010 após uma intervenção de requalificação que possibilitou a estruturação e consolidação do espaço, com o mínimo de impacto ao nível do solo, do leito da ribeira e das espécies existentes, de forma a valorizar a zona para que melhor cumpra as suas funções ecológicas. Este parque apresenta um grande valor natural e constitui um importante corredor ecológico que promove a biodiversidade e permite que os ciclos e fluxos naturais (ar, da água, da matéria orgânica) persistam ao longo da malha urbana.
O projecto contemplou a conservação da maior parte da mata existente, procedendo apenas à remoção de exemplares em risco de queda e espécies infestantes, pequenas podas de manutenção, plantação de maciços que promovam a consolidação da mata e a requalificação dos percursos existentes.

Para além da requalificação ecológica, o parque da Ribeira dos Mochos permite o usufruto livre e o lazer dos munícipes no “verde” em pleno meio urbano. Oferece ainda a outras valências e equipamentos que podem ser visitados e utilizados como uma mãe-de-água, um antigo aqueduto, um parque infantil, uma pista aventura, uma cafeteira e um parque de merendas.
Parque Urbano de Abarquel – Setúbal
O Parque Urbano de Albarquel, um projecto Polis de Setúbal, foi inaugurado em 2008.

Entre a EN10 e o estuário do Sado, o parque é um espaço verde de 3,7 hectares, que liga a cidade de Setúbal à praia de Albarquel, acompanhando o troço do rio.

A intervenção no espaço visou devolver a cidade ao rio e reforçar a identidade local, “oferecendo” aos cidadãos uma vasta área que liga o rio, a baía e a zona urbana de Setúbal, com a Arrábida, o Sado e Tróia como pano de fundo.
A melhoria da qualidade de vida intrínseca à fruição livre deste espaço verde no coração da cidade é acrescida pelos espaços lúdico-desportivos, cafetaria e restaurante que o parque contempla.

O parque introduz na cidade uma dimensão paisagística

Parque é a antítese de jardim. O jardim é um espaço doméstico, é um complemento da casa, que é um refúgio e um local onde nos protegemos de um exterior selvagem e hostil. Natureza ou “paisagem” são conceitos puros. Não estão relacionados com o mundo exterior, é um mundo imaginário, tal como o conceito kantiano das ideias puras que remete para o imaginário de um paraíso. Um parque tem como referência essa ideia de natureza acolhedora e paradisíaca, antagónica ao espaço selvagem. Mas também não é o espaço doméstico. O jardim está confinado à escala da casa, enquanto que o parque se pode extrapolar para o mundo. É criar dentro da cidade, uma paisagem que ela não tem. A cidade é um lugar com espaços extremamente funcionais, que servem para as necessidades quotidianas. Todo o espaço está organizado e codificado e, nesse sentido, a cidade é um local que resulta de uma arquitectura funcional. Tem uma imagem arquitectónica mas não tem uma paisagem. Este parque introduz na cidade uma dimensão paisagística, que até aqui não tinha.


O Parque não tem uma função própria


Um parque deve ser um espaço descodificado, ele não tem uma função própria. E um dos problemas dos parques é quando não se percebe essa dimensão. O importante é o seu despojamento, a entrega como espaço livre, sem nenhuma actividade que condicione as pessoas, a tal ponto que é normal ver uma pessoa deitada ao sol em fato de banho, a correr ou jogar à bola, a ler ou simplesmente passear com uma toilette de cerimónia.

Sidónio Pardal


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