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04/02/2010
Estocolmo
Capital Verde Europeia 2010
A capital da Suécia, Estocolmo, foi eleita a primeira Capital Verde Europeia em 2010, no âmbito do projecto "Capital Verde Europeia" (Green Capital Awards) promovido pela Comissão Europeia com o objectivo de distinguir anualmente uma cidade europeia pelo seu desempenho ambiental e sensibilizar todos os países europeus para as iniciativas tomadas por outras cidades.
Capital Verde Europeia - 2010

Mais de metade da população mundial vive em cidades, pelo que é muito importante conhecer exemplos de boa compatibilização entre urbanismo e desenvolvimento sustentável.
Neste âmbito surge o título de Capital Verde Europeia (Green Capital Awards), uma iniciativa UE que visa promover e recompensar o papel das autoridades locais que se destaquem pelo seu nível de exigência nas medidas implementadas para a protecção do ambiente e que se comprometam a alcançar objectivos ambiciosos que visem o desenvolvimento sustentável, e deste modo, possam servir de exemplo e inspiração a outras localidades.

Em 2010, primeiro ano da iniciativa, cabe a Estocolmo o reconhecimento e a partilha de experiencias que levaram a cidade a ser classificada como a Capital Verde Europeia. Experiencias estas que tem como linha de orientação a integração dos aspectos ambientais em todas as medidas tomadas pela administração e o reconhecimento que as cidades não são apenas compostas pelos edifícios, infra-estruturas e pessoas que nelas habitam, mas também pelo ambiente envolvente. De facto, é uma cidade com uma experiencia que advém dos meados dos anos setenta do século XX, quando foi implementado o primeiro programa ambiental de Estocolmo.

Protecção da água na “Veneza do Norte”
A capital sueca, conhecida como “a Veneza do Norte”, está localizada na costa do Mar Báltico. Dez por cento da superfície urbana é a água, e os muitos lagos e canais são altamente valorizados para fins recreativos.
Neste sentido, em 2006, a Câmara Municipal aprovou um plano de protecção da água que estabelece normas para a água mais limpa e métodos através dos quais isso poderia ser conseguido. A meta é que até 2015 toda a água e em torno de Estocolmo satisfaça os requisitos estipulados pela directiva europeia da água e ao mesmo tempo preservar o valor recreativo dos recursos hídricos.
Desfrutar o ar livre

95% da população de Estocolmo vive a menos de 300 metros de uma zona verde. Este aspecto aumenta a qualidade de vida e a ocupação de tempos livres localmente, através da prática de actividades ao ar livre como a natação, a canoagem, o jogging, por exemplo.
A existência destas zonas verdes contribui ainda para a purificação da água dos lagos e canais, a diminuição do ruído, a captação de C02, o aumento da biodiversidade e a ecologia.

No perímetro da cidade existem ainda 24 praias onde os habitantes de Estocolmo podem banhar-se durante os meses de Verão.

Maior qualidade de vida com menos emissões

Estocolmo tem pouco menos de 800 000 habitantes, mas com previsão em aumentar rapidamente. A visão holística da Câmara Municipal combina este crescimento com o desenvolvimento sustentável e inclui o objectivo ambicioso de se tornar independente dos combustíveis fósseis até 2050.

A cidade está firmemente decidida a reduzir as suas emissões de carbono. De facto, a quantidade de gases com efeito de estufa emitida por habitante, em Estocolmo, diminuiu em 25% desde 1990, e é 50% inferior à média sueca.

Para este facto é de salientar a utilização generalizada e frequente por 77% da população de uma rede de transportes públicos eficiente, fiável e funcional que, adicionalmente, possui emissões relativamente baixas, dado que o comboio, o metro e os autocarros do centro da cidade utilizam combustíveis renováveis (biogás proveniente do tratamento de águas resíduos e resíduos orgânicos) ou energia provenientes de fontes renováveis.
Estocolmo possui ainda 760 km de vias cicláveis, com perspectiva de aumentar, responsáveis pelo aumento em 75% dos ciclistas durante a última década.
De referir ainda a aplicação de taxas aos veículos para evitar os congestionamentos no centro da cidade durante o dia. O imposto permitiu reduzir o tráfego em 20%, diminuir as emissões em 10-14% (cerca de 30 000 toneladas de CO2) e, consequentemente, aumentar a qualidade do ar entre 2% e 10%.

Numa cidade do norte da Europa, o aquecimento é um aspecto de grande peso na qualidade de vida das populações e no ambiente, pelo que cerca de 69% das  deas habitações estão ligadas à rede de aquecimento urbana que por sua vez é produzida em 70% por fontes de energia renováveis.

Planificação e desenvolvimento
As novas áreas residências em construção na cidade possuem altos padrões ambientais. Um destes projectos, a Stockholm Royal Seaport, é um empreendimento modelo de planificação urbana sustentável, em construção numa zona de terrenos industriais abandonados, que prevê estar totalmente livre de combustíveis fosseis em 2030. É um projecto onde estão a ser desenvolvidas, ensaiadas e apresentadas tecnologias ambientais inovadoras e soluções criativas, que visa converter-se numa referencia mundial de desenvolvimento urbano sustentável.
Gestão de Resíduos

A cidade dispõe ainda de um excelente sistema de tratamento de resíduos que utiliza métodos inovadores como o transporte por vácuo dos resíduos sólidos.

Dos resíduos produzidos, cerca de 25% é encaminhada para a reciclagem, 73,5% é recuperada para o aquecimento urbano através da incineração e 1,5% recebe tratamento biológico.

O futuro

De acordo com os responsáveis pela cidade, com este prémio Estocolmo pretende continuar a implementar novas iniciativas “amigas do ambiente” e a trabalhar no sentido de proporcionar uma cidade mais sustentável para as próximas gerações.
Acima de tudo o desejo é que a verdadeira preocupação dos habitantes de Estocolmo seja o ambiente e não o prémio per se, apesar da sua importância.

Christofer Fjellner, eurodeputado sueco, reitera que “quando atingimos o topo queremos permanecer no topo e, para que isso seja possível, não podemos diminuir o nível de exigência" e é sobre este mote que Estocolmo irá encarar o seu futuro.

Partilha de experiências

Através de uma estratégia de comunicação bem concebida, Estocolmo tem demonstrado o seu empenho e vontade de partilhar a sua experiência e agir como inspiração para outras cidades.

O trabalho em rede e a participação da comunidade local e internacional, são garantia que Estocolmo e as outras cidades consigam unir esforços e reforçar a consciência ambiental em toda a Europa.

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Pela Eurodeputada Maria da Graça Carvalho
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