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17/02/2010
Exposição a poluentes atmosféricos em zonas urbanas
Por Carlos Borrego, especialista em qualidade do ar
A diminuição da qualidade do ar nas cidades é objecto de preocupação, porque grande parte da população vive nestas áreas, tornando-se relevante analisar os seus efeitos, em especial os efeitos na saúde humana.

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A qualidade do ar nas zonas urbanas

A degradação do ambiente no espaço urbano, com a diminuição da qualidade do ar nas cidades, é objecto de preocupação, porque grande parte da população vive nestas áreas.
O aumento do tráfego rodoviário é o principal responsável pelo crescimento dos níveis de poluição, com o consequente desrespeito pelas normas de qualidade do ar.

Em Portugal, o ozono (O3) e as partículas (PM10) são identificados como os poluentes mais problemáticos (APA, 2007).
As causas dos episódios de ozono são várias e incluem condições meteorológicas adversas que promovem a produção fotoquímica deste poluente secundário e as emissões de substâncias precursoras – óxidos de azoto (NOx) e compostos orgânicos voláteis (COV) – algumas destas emissões de origem natural, e por isso difíceis de controlar.
As concentrações elevadas de partículas observadas maioritariamente em áreas urbanas têm como principal origem as emissões do tráfego, industriais, domésticas e actividades de construção civil. Podem ainda contribuir para o incremento da concentração de PM10 as más condições de dispersão atmosférica e fenómenos naturais, como o transporte de partículas provenientes do deserto do Saara, os incêndios florestais ou a ressuspensão de partículas.

É nas áreas urbanas mais densamente povoadas ou com algum peso industrial que ocorrem o maior número de episódios de poluição atmosférica. São exemplos as zonas de Aveiro/Ílhavo, Vale do Ave, Vale do Sousa, zona de influência de Estarreja, Setúbal, Braga ou Porto Litoral, no que respeita a ultrapassagem dos níveis de ozono (Figura 1).

No Porto e Lisboa, a fraca qualidade do ar está normalmente relacionada com as elevadas concentrações de partículas inaláveis (PM10) no ar ambiente (Figura 2).
A relação Qualidade do Ar e Exposição Humana

Face ao panorama da qualidade do ar em Portugal, torna-se relevante analisar os seus efeitos e em especial os efeitos na saúde humana. De facto, estes são o resultado de uma cadeia de eventos, esquematizada na Figura 3, começando na emissão de poluentes, seu transporte e dispersão na atmosfera e inalação do ar pelos indivíduos.
A avaliação desses efeitos implica o conhecimento dos vários elos da cadeia.

É importante distinguir concentração e exposição. A concentração é uma característica física do ambiente num dado local e tempo, enquanto que a exposição quantifica a interacção entre o ambiente e um ser vivo. Exposição humana, ou simplesmente, exposição, pode-se definir como o evento que ocorre quando um indivíduo está em contacto com um poluente (Duan, 1982). Para haver exposição é necessário que a concentração de um poluente num dado local seja não nula e que, simultaneamente, um indivíduo esteja presente nesse local (Ferreira, 2007).
A definição de exposição apresentada refere-se a uma ocorrência instantânea entre uma pessoa i e um poluente com concentração c, num instante determinado.

Tradicionalmente, os estudos epidemiológicos utilizam a relação concentração-resposta como uma estimativa da relação dose-resposta para quantificar os efeitos na saúde associados à poluição atmosférica. Os estudos epidemiológicos que utilizam os dados de concentrações ambientais medidos nas estações de qualidade do ar como estimativas da exposição apresentam limitações relacionadas com a localização das estações que nem sempre é representativa dos níveis ambientais de áreas com características específicas (por exemplo, tráfego intenso).
Devido aos custos avultados da medição directa da exposição, cujos resultados são condicionados no tempo e no espaço, os investigadores de saúde pública e de poluição atmosférica têm reunido esforços no sentido de explorar a aplicação de modelos de exposição ), como o projecto SaudAr, que combinam informação sobre as concentrações de determinado poluente em dados locais (medidos ou simulados por modelos de qualidade do ar, com a informação sobre o tempo que uma pessoa passa em ambientes específicos.

Na avaliação da exposição é também fundamental considerar a contribuição da exposição ao ar interior, cujas concentrações diferem na maior parte das vezes das do ar exterior. A população em geral, e especialmente a que reside em áreas urbanas, passa 80 a 90% do tempo em ambientes interiores diversos, denominados por microambientes.


Referências


CURRICULUM
Carlos Borrego, Professor Catedrático da Universidade de Aveiro, foi Ministro do Ambiente e Recursos Naturais (XI e XII Governos) e Vice-Reitor para a Investigação (1998-2002) na UA. É Presidente do Conselho Directivo do Departamento de Ambiente e Ordenamento, onde desenvolve a actividade docente e de investigação, que originaram mais de 400 artigos e 9 livros, abordando problemas ambientais, entre os quais temas como qualidade do ar, alterações climáticas e fogos florestais. É delegado nacional ao Programa-Quadro de Investigação (Ambiente) da União Europeia e Director da European Association for the Science of Air Pollution (EURASAP). Como Director do IDAD-Instituto do Ambiente e Desenvolvimento (unidade de interface da UA), desenvolve a actividade profissional de projecto e consultoria.

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