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Alexandre Páris
27/10/2010
“Decidi que queria fazer uma viagem de bicicleta até ao outro lado do mundo”
Carlos Teixeira Gonçalves
Começou com uma ida ao Algarve, depois uma volta a Portugal e quando deu por ela já tinha pedalado em três continentes. Alexandre Páris, engenheiro mecânico, partiu de Portugal, com a companhia de Tiago Santos, e só parou no Tajiquistão. Uma viagem com zero emissões, durante um ano, partilhada por dois amigos, por três continentes, em quatro rodas. O Planetazul encontrou-o na livraria Ler Devagar, em Lisboa, para tentar perceber como é que isso se fez.
Como surge a vontade de fazer uma volta de bicicleta a três continentes?

Então é assim: fui escoteiro durante muitos anos e sempre gostei muito do tipo de viagem em autonomia, ou seja, levar tudo e não estar dependente de ninguém. Na altura, pensei: “Todos os anos vou com os meus pais ao Algarve, este ano era porreiro ir de bicicleta”. Todas as pessoas diziam que eu era maluco, que era muito difícil, que ia demorar muito tempo e que não ia conseguir... Estamos a falar de há dez anos. Depois dessa viagem, fizemos uma volta a Portugal. Ou seja, todos os anos no Verão tentávamos fazer uma maluqueira qualquer e a maluqueira foi aumentando.

Mas até fazer três continentes...

Entretanto conhecemos um núcleo de ambiente, o GAIA, que estava a organizar um Bike Tour em Portugal, para dinamizar a bicicleta como meio de transporte sustentável, e também uma volta na Alemanha, onde nos iríamos juntar a outro grupo para terminar num acampamento, envolvido com causas ambientalistas. Abriu-nos um bocadinho os horizontes. Estar num país estrangeiro, com outra cultura, a viajar de bicicleta... A partir daí sempre quis repetir. Antes dos três continentes, nessa viagem, tomámos conhecimento de um acampamento que se chama Ecotopia, que ocorre todos os anos num sítio diferente da Europa, para falar sobre causas ambientalistas. Associado ao Ecotopia começou a haver um movimento que é o Bike Tour que percorre dois, três países até chegar lá. Nesse ano, começava na Bósnia e termina na Moldávia. Nós tínhamos disponibilidade e então decidimos ir daqui até à Bósnia e juntar-nos aos outros. Ficou o bichinho. Depois de conhecer a Europa...

Então não foi um choque. Estavas preparado.

Sim, estava mais ou menos preparado. Em termos físicos, uma pessoa adapta-se, a batalha é com o cansaço psicológico. Muitas horas na estrada... Nesta viagem fui com um amigo que nunca tinha feito nenhuma viagem antes. Mas correu tudo bem, tivemos uma discussão.

Só uma discussão...

Sim. Oito meses, uma discussão, foi positivo.

O que é que custou mais nestes oito meses?

Foi o Inverno. O Inverno em bicicleta... O nosso plano inicial era fazer o Norte de África. Não conseguimos vistos para fazer esse troço e vimo-nos no meio da Europa e na Ásia no pico do Inverno. Com o frio, a chuva, a neve.

Houve algum país que te tenha surpreendido?

O Irão, sem dúvida. Quando estávamos a chegar a Teerão, passa um carro e começam a falar connosco. Queriam que ficássemos em casa deles e nós não estávamos a perceber aquela insistência toda. Depois, um senhor [do carro] disse-nos que também fazia viagens de bicicleta. Ele vivia, ainda vive, no meio de um percurso que é a Rota da Seda, que o Marco Polo fez no caminho para a Ásia. E há uma série de europeus que fazem essa rota de bicicleta. É uma rota turística, para quem faz cicloturismo. Como este senhor vive numa casa mesmo na estrada que faz a rota, desde pequeno que vê turistas a passar à porta de casa e tem contacto com a bicicleta como meio de transporte. Um dia foi da casa dele até Teerão e no outro ano foi até casa de um amigo que fica do outro lado do Irão. No outro ano, foi dar uma volta pela Síria, Turquia... Ou seja, aquele bichinho que os europeus têm foi passado para aquele senhor que vivia numa aldeia no meio do Irão. E é um bocado isto que nós sentimos que se passa.

Achas que conseguem passar essa mensagem?

Eu acho que sim. Quando as pessoas vêem que estás a fazer isto e estás feliz. Às vezes é difícil perceber este contexto. Mesmo quando vão de férias, vão num pacote turístico em que não há espaço para o improviso. Não há espaço, porque fora deste roteiro é perigoso, é arriscado. E às vezes não é bem assim.

O blogue da viagem chama-se “0 emissões”. O princípio da viagem foi ambiental ou apenas uma aventura? O que esteve na sua base?

Eu decidi que queria fazer uma viagem de bicicleta até ao outro lado do mundo. Entretanto, o Tiago, que é um amigo de longa data, juntou-se. Começámos a pensar o que podíamos fazer com esta ideia, com este conceito. Nós queríamos fazer uma viagem com zero emissões, ou seja, não íamos fazer poluição, há volta de um ano. Éramos dois amigos, em três continentes e quatro rodas. Ficou o mote, que fica no ouvido: zero emissões, um ano, dois amigos, três continentes, quatro rodas.

Antes desta viagem já eras uma pessoa preocupada com o ambiente?

Sim. Sempre foi uma causa que me foi incutida através dos meus pais e dos escuteiros, onde participei em acções de limpeza e também de sensibilização de jovens.

A viagem alterou de alguma forma a tua relação com o consumismo, com os bens materiais?

Altera porque quando vais na bicicleta não podes levar tudo o que queres. Então começas a fazer o exercício de reduzir e vês que há muita coisa que não é necessária. Depois, há sensibilização exterior, pois chegas a países que são muito pobres, que vivem com muito pouco. Mas vivem e são felizes.

Continuas a andar muito de bicicleta, desde que voltaste?

Como meio de transporte, para as minhas deslocações diárias, sempre que possível. Agora estou a trabalhar na minha antiga empresa que fica na outra margem [de Lisboa]. Neste momento, tenho ido de carro. Mas estou a pensar seriamente ir de bicicleta, conciliando com o comboio, barco. Infelizmente, os meios de transporte não são amigáveis. Por acaso até devo conseguir ir de comboio porque estou no sentido Lisboa – Sul. Mas a grande franja, que vem ao contrário, não tem essa opção porque à hora de ponta está vedado o transporte de bicicleta. Só no barco é que é permitido, mas duas ou três.

Tens algum peso na consciência ambiental, agora que andas de carro depois de tanto tempo a pedalar?

Sim, sinto o peso.

Algo coisa que queiras melhorar, que consideres que ainda esteja errado?

Em termos alimentares. Às vezes acho que recorro muito a grandes áreas comerciais para comprar alimentos. Não vou à mercearia para apoiar o comércio local. Mas este é um problema que está minado, porque eles próprios vão comprar as coisas às grandes superfícies.
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