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João Borges
27/04/2010
Design para a sustentabilidade, do Porto às Nações Unidas
Carlos Teixeira Gonçalves
“A forma aparenta um globo. Um globo que, em vez de ser feito por quadrículas e rectângulos perfeitos, é feito por quadradinhos completamente diferentes”, descreve, simplificando, João Borges. Mas há muito mais a dizer sobre o logótipo do designer português que será o símbolo da World Urban Campaign, campanha das Nações Unidas (ONU) que promove o desenvolvimento sustentável das cidades.
Por exemplo, há a dizer que foi ele o escolhido entre outros 201 projectos, de 51 sítios diferentes e ganhou por unanimidade. Que no desenho não há uma cor, uma forma, que se repita. “Eu queria que remetesse para a malha urbana das cidades, para uma malha cultural, diferenciação cultural, mas ao mesmo tempo, já que estão todos interligados e a agir, que tivesse a ver com a política comum, comunidade, disciplina, potência, movimento”, explica o designer. E, por dizer, ainda sobra tudo isto: que é um logótipo como imagem e referência a uma luta por uma melhor urbanização, pela criação de cidades sustentáveis. São estas as histórias que o símbolo da World Urban Campaign, campanha recém-lançada pela ONU, já leva.

Mas voltemos ao início. João Borges abriu as portas do seu atelier, na cidade do Porto, ao Planetazul, o mesmo local onde soube, em Março passado, que tinha ganho o prémio. Recebeu um email às três da tarde, mas só o leu por volta das 19 horas. “Fiquei radiante, principalmente porque me convidaram a ir ao Rio de Janeiro explicar o logótipo. E isso é que achei uma oportunidade fantástica. Ter um designer a explicar para uma plateia de pessoas que são na sua maior parte, políticos e técnicos, engenheiros e arquitectos, esse é que foi um momento único. Bastante mais importante que o valor do prémio” [5000 dólares, cerca de 3750 euros].

Por excesso de trabalho, já há cinco anos que não participava em concursos e nunca tinha posto os pés num com esta temática. Mas a falta de rotina não representa ausência de confiança. O autor confessa-nos que até estava “convicto” de que ia ganhar, porque era “um tema que conhecia bem”. Experiência não lhe faltava. “Fiz imensas exposições ligadas ao ambiente, no qual a minha intervenção não foi apenas de designer, mas também de director artístico, formação de equipas técnicas”. O último trabalho foi um CD interactivo para a Câmara Municipal do Porto. “É completamente animado”, diz, levanta-se e procura um exemplar. “Os professores e os alunos podem interagir a partir dos conteúdos e podem saber o que a câmara e o gabinete de ambiente estão a fazer”, explica, já com a mão no trabalho.

Agora, João Borges está a trabalhar a parte mais técnica (testar o logo em diversas aplicações) da campanha, mas a ligação às Nações Unidas não vai ficar por aqui. O designer foi convidado para fazer o suporte gráfico da campanha: “Enquanto houver fundos, em princípio, a campanha não vai acabar”.


O cheiro do arquivo

João Borges avisou-nos de que era “complicado” resumir o seu percurso profissional. E a avaliar pelo atelier assim parece: quadros com diversos trabalhos do designer alinham-se por entre papéis, esboços, protegidos por uma respeitável prateleira de livros.

Vamos tentar. Licenciado em Design na Faculdade de Belas Artes do Porto e com uma Pós-graduação em Design e Marketing Industrial. Completou a formação académica com um mestrado, na cidade de Barcelona. Estudou fotografia de cinema, investigou, editou quatro livros.

Tem o atelier no Porto há 18 anos. Começou o percurso de designer a trabalhar com a indústria, mas em 1995 deixou. “Agora trabalho só com instituições culturais, que fazem trabalho cultural e social. Posso-lhe dizer que tenho feito grande parte dos trabalhos ligados ao ambiente na Câmara do Porto e já trabalhei para a secretaria de Estado do Ambiente. Portanto, a questão do ambiente é um tema com o qual me tenho dado bastante bem e é uma área que conheço”.

Por todo o trabalho ligado à área, a relação (seja ela qual for) tem de ser forte. “Há cerca de nove anos, a Câmara Municipal do Porto começou a implementar os eco-pontos. E fui eu que fiz toda a campanha. De certa forma, eu devia ser a pessoa mais atenta porque sabia de cor todos os folhetos. Sou uma pessoa avisada e estou por dentro disso e no meu dia-a-dia tento ser o mais ecológico possível, mas de vez em quando também apetece estar mais um bocado no banho”.

As contas e facturas chegam em formato digital, mas ainda tem uma ligação forte com o papel. “Tenho muito por hábito fazer arquivos, guardar papel e imprimir muito. De certa forma, apesar de haver pessoas que guardam tudo no email e no telefone, eu ainda gosto do arquivo em papel com peso, com cheiro”, assume. As camadas de papel no atelier têm justificação.
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