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José Jorge Letria
17/11/2009
“Não me estou a tornar um místico ambientalista. Estou a ter percepção das coisas”
Carlos Gonçalves
José Jorge Letria parece que adivinhou o futuro. Nos anos 80, quando as questões ambientais ainda estavam no fundo da agenda política, explicou a importância do tema às crianças. João Ar Puro no País do Fumo foi o primeiro passo. Um passo que lhe valeu pouco depois três livros premiados: O grande continente azul (1982), Uma Viagem no Verde (1987) e O Pequeno Pintor (1989). Agora, o escritor, cantor e jornalista está mais preocupado com o ambiente do que há 20 anos, mas escreve menos sobre ele.
Como é que lhe surgiram tão cedo, logo nos anos 80, e em livros dedicados às crianças, as questões ambientais?
As questões ambientais são questões de época e não faziam parte da minha agenda, nem da minha geração. Fui dos primeiros autores a abordar a temática ambiental, ao publicar um livro que se chamava João Ar Puro no País do Fumo, que é o primeiro livro em Portugal com uma temática anti-tabagística. Aconteceu devido ao facto de a minha mulher e o meu filho mais velho serem asmáticos e eu me ter dado conta dos transtornos que um ambiente poluído causavam. Passei a ter a preocupação de vir fumar à rua, empiricamente fui lá chegando, mas não tinha uma visão sistemática. O livro da viragem é O grande continente azul, que é claramente ambientalista. Para além da questão familiar, contribuiu o facto de eu, como jornalista, ter visto que era um grande tema para as décadas seguintes e de ter percebido que por esta via conseguiria chamar a atenção para um aspecto fundamental da cidadania. Portanto, tirando os livros em que comecei a falar directamente da temática ambiental, quis também fazer com que esta fosse transversal a tudo o que fazia.

No seu dia-a-dia, que tipo de preocupações tem com o ambiente?
Agora vivo em Mafra e tenho um quintal/jardim atrás de casa. Engraçado... Aos 58 anos estou a reencontrar a minha relação com o espaço natural. Ainda há dias dei por mim sentado a ver uma aranha construir a teia, o que acho das coisas mais fascinantes da natureza. Tenho mudado de atitude em relação ao natural, e tenho procurado ter mais tempo para observar a natureza.

Chega ao ponto de, por exemplo, utilizar fertilizantes biológicos no seu jardim/quintal?
Normalmente é tarefa que eu não tenho, é a minha mulher que trata disso e ela sim tem uma consciência ambientalista fortíssima. Tem uma atitude perfeitamente coerente em todas as etapas.

O que faz mais para diminuir os estragos ambientais?
Não tenho propriamente uma militância, mas tenho um cuidado constante. Não atiro cigarros pela janela. Sou cuidadoso com a quantidade de água que consumo - por exemplo, tomo duche e tenho um regador que vou enchendo, e que depois vai servir para regar. Tenho o cuidado de colocar o lixo nos recipientes certos...

Quando escreveu os seus primeiros livros de temática ambiental, já tinha alguns destes hábitos?
Não tinha nada que se parecesse com o que tenho hoje. Curiosamente, escrevo menos sobre o ambiente do que escrevia na altura. Também o mundo editorial está menos receptivo à temática ambiental do que estava há 20 anos.

E que maus tratos ao ambiente assume fazer?
Eu se puder ir de carro, vou de carro e não a pé. É uma preguiça de geração – se tiver uma máquina a fazer por mim, não vou fazer. Embora faça um grande esforço para combater isso...

Que hábito que reconheça errado alterou para melhor, recentemente?
Percebi até que ponto os seres da natureza, como as aranhas, podem ser determinantes para eu não ter melgas que me piquem. É a compreensão do eco-sistema. A minha tendência como ser urbano era matar a bicharada. Hoje tenho uma atitude completamente diferente. Ainda nos últimos dias, reparei que fui dar uma volta para não destruir uma teia de aranha. Não me estou a tornar um místico ambientalista. Estou a ter outra percepção das coisas.
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