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23/03/2012
Linha do Tâmega: O museu, a pista e a Livração ali tão perto
Carlos Teixeira Gonçalves
O Plano Estratégico dos Transportes (PET) confirmou a desactivação da Linha do Tâmega, cuja circulação estava suspensa desde 2009. Eram cerca de 52 quilómetros, desde o Arco de Baúlhe até à Livração, mas grande parte dessa linha está ou vai ser transformada num “corredor verde”, ou “eco-pista”, ou “ciclovia”, conforme a preferência semântica. O Planetazul propôs-se a percorrer toda a linha, à semelhança do que tínhamos feito na do Tua, por qualquer meio de transporte necessário. Aqui fica a história desse trajecto.
Olhamos de frente para a antiga estação de comboios em Arco de Baúlhe, perto de Cabeceiras de Basto. Em 1949, os comboios da Linha do Tâmega terminavam aqui a sua marcha, mas desde 1990 que o único bilhete (de borla) para picar é o do Espaço Museológico de Arco de Baúlhe. Passaram mais de 20 anos desde a última utilização da estação como sítio onde as pessoas entram e saem de comboios. Mas as coisas nem parecem assim tão mal. As portas pintadas de azuis, os canteiros da mesma cor, o verde entre os carris, o lilás das flores, anunciam a nova vida, menos barulhenta do que a do passado.

Conceição Magalhães, da equipa responsável pelo serviço educativo e de visitas, disponibiliza-se para nos mostrar a zona. Há coisas a ver dentro e fora de muros, carruagens do início do século já com aquecimento e miniaturas que cruzam a grande história dos comboios americanos. Até o meio de transporte sobre carris de D. Amélia (1865-1951) estacionou por aqui. Conceição diz que vai lá muita gente, principalmente escolas, mas nessa manhã estávamos só nós e pudemos, com um pouco de esforço, subir a uma locomotiva e ficar com cheiro a ferro preso nas mãos.

Tivemos direito a mais ou menos meia hora de história da ferrovia, mas o único meio de transporte disponível para sair de Arco de Baúlhe (autocarro) era às 11h10 da manhã e não dava tempo para mais. Propusemo-nos a atravessar toda a (agora) encerrada Linha do Tâmega, 51,6 quilómetros até à Livração, de qualquer forma ou feitio. Um veículo a gasolina seria o primeiro a utilizar.

Tão perto

Normalmente, nas cidades que perderam o comboio, a antiga estação serve de nova paragem dos autocarros que cruzam o mesmo destino. Faz sentido, embora não se verifique nesta vila, e é um bom conselho para quem quer andar estrada fora.

Mesmo assim, não foi difícil encontrar o sítio correcto. Ao olhar para o horário pendurado na paragem, e com um bocadinho de poder de abstracção, conseguimos imaginar grande parte do traçado da antiga linha. Vila Nunes (11h20), Canedo (11h35), não passa por Padredo, Mondim de Basto, Britelo, chega a Celorico de Basto às 12 horas (km 34,6 da linha). Dentro do autocarro, o prestável motorista enganou-se e emendou o erro no preço do nosso bilhete, sem nos apercebermos de nada. Era nisto que pensávamos enquanto trocámos de autocarro e de condutor para seguir a marcha, ainda com o troco na mão.

Decidimos ir directos para Amarante, onde nos esperava um almoço, um encontro com o porta-voz da Comissão de Utentes da Linha do Tâmega, José Gonçalves, e uma bicicleta. Sim, é que desde antes da estação da Chapa (km 21,2) até Amarante (km 12,8) há 9,3 km de eco-pista, inaugurados em 2011, onde até os mais trapalhões podem pedalar à vontade. Rosalina, que vive “pra aí há 50 anos” na casa da estação na Chapa, já não estranha os ciclistas ou caminhantes vários. O início é quase sempre a descer e ziguezagueamos pelos quase quatro metros de largura na pista acompanhados pelos pássaros. A pista faz-se bem, mas está um calor que não se pode e estamos vestidos como quem vai passar a tarde no escritório. Por isso, ao chegar a Gatão (km 17,5), já pedimos que passe algum comboio e nos dê uma boleia.

A estação de Amarante tem uma história caricata. Foi aqui que, em 2009, Ana Paula Vitorino, secretária de Estado dos Transportes, anunciou estar a encerrar a linha para obras de requalificação. Nunca mais houve um comboio ou automotora desde então e os autocarros disponibilizados pela CP para fazer o trajecto até à Livração (final da linha) acabaram a 31 de Janeiro. Mesmo usando o truque de procurar transporte em volta da antiga estação, não conseguimos arranjar e, quando a ideia peregrina de caminhar os 10 km restantes já parecia provável, vimos um sinal com a inscrição “perigo” e desistimos.

Quem não desiste é o porta-voz da Comissão de Utentes da Linha do Tâmega. Encontramo-nos numa esplanada com vista para o rio Tâmega, já sem bicicletas ou outras chatices. José Gonçalves não fica surpreendido com o facto de não conseguirmos chegar à Livração: “Os transportes escolares são a única solução”. “Há situações”, continua. “Pessoas que têm de vir todos os dias ao centro de saúde e vêm a pé pela linha até chegar a Amarante”, revela.

Durante cerca de uma hora discutimos os poderes autárquicos e das freguesias, o pequeno burburinho que gerou a última manifestação, com apupos e palmas. José Gonçalves diz que, para cima, até Arco de Baúlhe, já não há muito a fazer, mas para o trajecto até à Livração ainda mantém a esperança. “As pessoas estão alerta. E percebem que as promessas não estão a ser cumpridas”. Nós quase que cumpríamos a nossa de chegar ao fim da linha.
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