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14/03/2012
Roteiro do Céu
Por Guilherme de Almeida, autor e divulgador de astronomia
Quem não gostaria de saber o nome de uma estrela, ao cair da noite, ou identificar uma constelação? Fora dos grandes aglomerados urbanos, o céu nocturno é grandioso e sublime, capaz de sensibilizar até os espíritos mais endurecidos… Além dos roteiros turísticos terrestres, há também lugar para um ou mais roteiros do céu! Quer experimentar?
SABER, o canal de ligação entre os especialistas e os leitores do Planetazul.

Algumas estrelas e constelações de Inverno. Podem ver-se, entre outras, as constelações de Orionte, Cão Maior, Cão Menor, Gémeos, Hidra e Cocheiro. Fotografia de Miguel Claro, obtida no Santuário do cabo Espichel, em 2010. Pode ver-se esta e outras imagens em  www.astrosurf.com/astroarte

Começar da forma correcta: a olho nu

Seja bem-vindo(a) ao grupo dos que gostam de observar o céu! As observações astronómicas são a contemplação da natureza na sua escala mais ampla. Este texto é um apoio para quem se quer iniciar nestas matérias. Não pretende ser exaustivo (nem tal caberia neste espaço), mas é essencialmente uma orientação encaminhadora. Contrariamente ao que pode parecer à primeira vista, a identificação das constelações no céu nocturno e o reconhecimento sem falhas das estrelas mais brilhantes são simples e acessíveis. Não se requerem conhecimentos prévios especiais: apenas se precisa de vontade de aprender. Não é necessário, nem conveniente, utilizar nesta fase instrumentos de observação—os olhos são ideais e suficientes.

Dão-se aqui algumas sugestões e conselhos para facilitar a sua entrada no mundo fascinante das observações astronómicas. Está mesmo a começar, na “estaca zero”? Não se preocupe nem se sinta constrangido(a) por isso. Lembre-se de que todas as pessoas já passaram por essa fase (no meu caso foi há 43 anos). Não vá logo a correr comprar um telescópio, nem sequer um binóculo. Nesta fase de iniciação, esses instrumentos de observação de pouco lhe serviriam. Dariam para ver a Lua e pouco mais.

Habitue-se a ver o céu a olho nu, para ter um grande campo visual e poder relacionar entre si diferentes partes do véu. Aprenderá gradualmente a reconhecer as constelações e a identificar as estrelas mais brilhantes em cada uma dessas constelações. Veja que constelações se vêem a este antes do nascer do Sol, e a oeste pouco depois do pôr-do-sol. Veja como isso se modifica ao longo das horas e dos meses.

Como identificar facilmente as estrelas e as constelações no céu?

O método dos alinhamentos sucessivos levará o leitor de estrela em estrela e de constelação em constelação. Este método em muito mais simples de aplicar no céu do que possa parecer. E pode contar com as seguintes factos que constituem ajudas adicionais:

  1. as estrelas mostram brilhos variados;
  2. as estrelas mostram diferentes cores (brancas, amareladas, avermelhadas e azuladas, embora o leitor, provavelmente, nunca tenha pensado nisso);
  3. as estrelas não se distribuem uniformemente no céu: há partes do céu mais povoadas de estrelas e outras onde elas são mais escassas.

Em breve, o leitor utilizará um mapa celeste com a mesma facilidade com que consulta um mapa de estradas. Organizará o seu próprio roteiro do céu. Os seus amigos e amigas ficarão surpreendidos!

O que é um alinhamento de estrelas?
Aprendemos na escola o método clássico para localizar a estrela Polar a partir das guardas da Ursa Maior, prolongando cerca de cinco vezes e meia a distância aparente estas duas estrelas. Este é apenas um entre muitos outros alinhamentos possíveis. Dada a direcção definida por duas estrelas no céu, conhecidas, pode-se seguir nessa direcção, fazendo um prolongamento e encontrando facilmente outras estrelas e outras constelações que o observador ainda não conheça.

Treinando com regularidade e usando um mapa de apoio, ou um livro orientador, a aprendizagem é rápida e agradável. Não pense que está a perder tempo nestas fases preliminares, pois não há atalhos para conhecer o céu!
Mantenha-se nesta fase até ter acumulado umas 25 a 30 horas. Quando for capaz de identificar com segurança mais de 25 estrelas, pelos seus nomes, e outras tantas constelações, estarão reunidas as condições para usar proveitosamente um binóculo nas suas prospecções celestes. Será mais fácil do que pensa!

Chegou a sua vez de dar apoio a quem se encontre na fase 1, ou já se esqueceu de que também houve uma noite em que não sabia encontrar a estrela Polar, nem a Ursa Maior, nem o Leão?

Para praticar e saber mais:
Almeida, Guilherme de — "Roteiro do Céu", 5.ª edição, Plátano Editora, Lisboa, 2010. 


Ferreira, Máximo; Almeida, Guilherme de —"Introdução à Astronomia e às Observações Astronómicas", 7.ª edição, Plátano Editora, Lisboa, 2004.

Pronto para usar o binóculo?
Cumprida a anterior fase 1, o leitor pode agora pensar na aquisição de um binóculo 7x50 (se tem menos de 30 anos), ou um 10x50 se tiver mais idade. Não queira "saltar já" para o telescópio. A visão a olho nu cobria uma grande parte do céu ao mesmo tempo; o binóculo cobre-lhe o equivalente a uma bola de ténis segura na extremidade do seu braço estendido, que já é uma área celeste relativamente pequena.

Oriente-se pelas constelações que aprendeu a localizar na fase anterior; encontre estrelas “quase ao lado” dos objectos que quer observar, e "leve o binóculo" até esses objectos: pode fazê-lo com o binóculo  seguro na mão, mas verá que é melhor se o apoiar, com o suporte apropriado, num tripé fotográfico. Poderá observar também a Lua, Júpiter e 4 das suas luas, alguns enxames de estrelas diversas nebulosas e até mesmo algumas galáxias. Utilize, utilizando um livro que tenha mapas com a localização dos objectos mais interessantes, acessíveis à observação como binóculos.
Pratique bastante nesta fase até acumular umas 30 a 40 horas de observação. Poderá, então passar ao telescópio, que lhe abrirá os horizontes ainda mais. Quem pensa que tendo um telescópio pode tirar bom proveito dele sem esta "rodagem prévia" está enganado(a) e irá ficar decepcionado(a) com a sua utilização prematura. É certo que o telescópio é a sua janela aberta para o Universo, mas essa janela só se abre depois de algum treino. Isso acontece gradualmente, e não instantaneamente.

Exemplos de alinhamentos de estrelas, para usar a olho nu.
Este mapa e o anterior foram extraídos do livro Roteiro do Céu.
Para saber mais:
Almeida, Guilherme de; Ré; Pedro — "Observar o Céu Profundo", 2,ª edição (Plátano Edições Técnicas, Lisboa)


Guilherme de Almeida nasceu em 1950. É licenciado em Física pela Faculdade de Ciências de Lisboa, e professor desta disciplina, tendo incluído a Astronomia na sua formação universitária. Realizou mais de 60 palestras e comunicações sobre Astronomia, observações astronómicas e Física, em escolas, universidades e no Observatório Astronómico de Lisboa. Utiliza telescópios, mas defende a primazia do conhecimento do céu a olho nu antes da utilização de instrumentos ópticos de observação. Escreveu mais de 60 artigos sobre Astronomia e Física. É autor de sete livros: Sistema Internacional de Unidades; Itens e Problemas de Física–Mecânica (co-autor); Introdução à Astronomia e às Observações Astronómicas (co-autor); Roteiro do Céu ; Observar o Céu Profundo (co-autor); Telescópios; Chamo-me Galileu Galilei. A obra Roteiro do Céu foi publicada em inglês, sob o título "Navigating the Night Sky (Springer Verlag–London). Chamo-me Galileu Galilei está também publicado em castelhano e catalão.


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