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18/01/2011
Utilizar correctamente a simbologia e terminologia das grandezas e unidades físicas: um imperativo para a qualidade
Por Guilherme de Almeida, especialista em simbologia e terminologia de grandezas e unidades físicas
Este assunto não é só para especialistas. A utilização correcta dos nomes e símbolos das grandezas e unidades físicas é uma exigência fundamental para os fabricantes de produtos e para os fornecedores de serviços. É um dever profissional dos investigadores, engenheiros e professores. Trata-se de uma necessidade incontornável para os estudantes e para os jornalistas. E é uma vantagem para todo o cidadão bem informado. No entanto, encontram-se correntemente erros de simbologia e terminologia que aparecem, escritos ou falados, em jornais, livros, revistas, na Rádio e na Televisão.
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Introdução
Neste artigo referem-se alguns exemplos correntes de erros deste tipo e dão-se indicações sobre o acesso às informações correctas.
É muito vantajoso que o mesmo símbolo ou o mesmo termo tenham igual significado para todos os utilizadores. A uniformidade de critérios, estabelecidos internacionalmente, permite o melhor entendimento entre todas as pessoas. Para assegurar tal desiderato, criaram-se normas. A maioria das pessoas concorda com as vantagens desta normalização, mas são poucas as que a aplicam no seu dia-a-dia. Por exemplo, deveremos escrever 12 Kg ou 12 kg?  Será correcto escrever 17.000 ou 17 000?
Na comunicação, escrita e oral, esta necessidade é óbvia. Numa peça jornalística, os erros de simbologia são incómodos, tal como os de terminologia. No folheto de características de um produto, tais erros podem levar a confusões ou até ao desprestígio desse produto. Por exemplo, escrever "100 mts." (para indicar 100 metros), ou indicar "250 grs." (em vez de 250 g), suscitará dúvidas e interrogações. O mesmo se pode dizer do mau uso de incorrecções como "cc" em vez de cm3,  30 graus centígrados em vez de 30 graus Celsius, etc. E os estudantes também devem ter estes cuidados.
Algumas incorrecções frequentes

Critica-se fortemente quem escreva "peiche" em vez de "peixe", considerando (e bem) tal erro imperdoável. No entanto, há quem pense que incorrecções como as dos parágrafos anteriores não têm qualquer importância, mas engana-se: a utilização dos símbolos e da terminologia também tem a sua "gramática", que deve ser usada correctamente. Por força do Decreto-Lei nº 427/83 de 7 de Dezembro, as unidades a utilizar deverão ser as do Sistema Internacional de Unidades, abreviadamente representado por SI. Posteriormente, o Decreto-Lei n.º 238/94 de 19 de Setembro corrigiu e condensou num único diploma as disposições referentes a esta matéria. 
É óbvio que só deverãp ser utilizados símbolos correctos. A ausência de informação de alguns utilizadores, assim como o tradicional "acho que…" onde se confunde um mero palpite com uma certeza bem documentada conduzem a diversas incorrecções que urge rectificar. E isto não se limita apenas aos termos e simbolos especializados. Também há inúmeros casos na linguagem corrente do dia-a-dia. Indicam-se seguidamente alguns exemplos, mas podiam citar-se muitos mais:

Exemplos de mau uso da simbologia e terminologia das grandezas e unidades físicas (apenas alguns exemplos)

Escrita incorrectaEscrita correctaObservação explicativa
kilómetroquilómetroO prefixo quilo=1000 escreve-se com k
kilogramaquilogramaO prefixo quilo=1000 escreve-se com k
KgkgO símbolo do prefixo quilo=1000 escreve-se com k
KmkmO símbolo do prefixo quilo=1000 escreve-se com k
12.50012 500O separador de milhares é um espaço, nunca um ponto
grau centígradograu Celsius
corrente alternacorrente alternada
duzentas gramasduzentos gramasA unidade grama é um substantivo masculino
V= 20 m3V= 20 m3Os símbolos das grandezas escrevem-se com caracteres itálicos
10 kgs10 kgOs símbolos das unidades não têm plural
24 ms24 mOs símbolos das unidades não têm plural
dez quilogramadez quilogramasOs nomes das unidades, por extenso admitem plural
24 metro24 metrosOs nomes das unidades, por extenso admitem plural
grau Kelvinkelvin

Os nomes das unidades, quando escritos por extenso, grafam-se com a primeira letra minúscula, mesmo que derivem de nomes de cientistas. É por isso incorrecto escrever: Volt, Watt, Hertz, Newton, Ohm, Pascal, etc. (escrita contrária às normas). Não se confunda Newton, físico e matemático (1642–1727), com newton, unidade SI de força. A única excepção é o grau Celsius.

As normas e as instituições
Em Portugal, o organismo nacional responsável pelas actividades de normalização, certificação e metrologia é o Instituto Português da Qualidade (IPQ). Cabe-lhe ainda a emissão das Normas Portuguesas, genericamente designadas pela sigla NP seguida de um número (por ex. NP2626).
O IPQ funciona em articulação com as organizações internacionais nos domínios referidos (e outros). As principais organizações nestas áreas são as seguintes: BIPM (Bureau International des Poids et Mesures), ISO (International Organization for Standardization), IEC (International Electrotechnical Committee), IUPAP (International Union of Pure and Applied Physics) e IUPAC (International Union of Pure and Applied Chemistry).
Símbolos das unidades de base do SI, a contar do topo e no sentido horário: kelvin, segundo, metro, quilograma, candela, mole e ampere.
Acesso às normas, publicações normativas e brochuras
As Normas Portuguesas (NP) e algumas outras podem ser adquiridas no Instituto Português da Qualidade. Também é possível consultá-las na Biblioteca de Normas do IPQ. Esta solução pode ser adequada para os utentes habituados a procurar informação em consultas elaboradas e demoradas, pois a norma pretendida para uma dada situação terá de ser pedida pelo número correspondente: será preciso descobrir o número da norma a consultar! Como veremos, há outros caminhos.
Outras fontes de informação
Os modos de proceder referidos no ponto 4 permitem o acesso a uma enorme variedade de normas. Podem esclarecer casos pontuais muito especializados, mas são procedimentos que se podem revelar demorados até se chegar à informação pretendida.
Porém, no caso da esmagadora maioria das grandezas correntemente utilizadas, no que se refere às unidades SI, no que diz respeito à terminologia das grandezas e unidades físicas, bem como às regras a adoptar para a escrita correcta dos correspondentes nomes e símbolos, há livros que permitirão obter mais rapidamente as informações pretendidas. Tais livros, e outras publicações dedicadas, incluem geralmente muitos dados úteis, informação sintetizada, exemplos de aplicação, simbologia e termnologia das grandezas e unidades físicas, etc. A informação fica, assim, de acesso mais fácil e rápido.
Referências
Almeida, Guilherme de—Sistema Internacional de Unidades (SI), Grandezas e Unidades Físicas, Terminologia, Símbolos e Recomendações, 3.ª edição, Plátano Editora, Lisboa, 2002 (Livro recomendado pela Sociedade Portuguesa de Física)
Link 1: http://www.platanoeditora.pt/index.php?q=C/BOOKSSHOW/418
Link 2: http://www.platanoeditora.pt/files/271/4338.pdf

BIPM—Le Système International d'Unités, Bureau International des Poids et Mesures, Sèvres, 8e edition, 2006, (Pavillon de Breteuil, F–92312, Sèvres Cedex, France).

CURRICULUM
Guilherme de Almeida nasceu em 1950. É licenciado em Física pela Faculdade de Ciências de Lisboa, e professor desta disciplina, tendo incluído a Astronomia na sua formação universitária. Realizou mais de 60 palestras e comunicações sobre Astronomia, observações astronómicas e Física, em escolas, universidades e no Observatório Astronómico de Lisboa. Utiliza telescópios, mas defende a primazia do conhecimento do céu a olho nu antes da utilização de instrumentos ópticos de observação. Escreveu mais de 60 artigos sobre Astronomia e Física. É autor de sete livros: Sistema Internacional de Unidades; Itens e Problemas de Física–Mecânica (co-autor); Introdução à Astronomia e às Observações Astronómicas (co-autor); Roteiro do Céu ; Observar o Céu Profundo (co-autor); Telescópios; Chamo-me Galileu Galilei. A obra Roteiro do Céu foi publicada em inglês, sob o título "Navigating the Night Sky (Springer Verlag–London). Chamo-me Galileu Galilei está também publicado em castelhano e catalão.

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