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15/06/2010
Novos espaços públicos
O futuro é agora
Num mundo cada vez mais urbano, pensar e criar novos equipamentos e valências para a fruição pública e para o aumento da qualidade do ambiente e da vida dos cidadãos é uma preocupação das cidades. Destacamos alguns projectos e conceitos inovadores que se adaptam às necessidades das pessoas e aos espaços públicos transformando-os.
Árvores de ar
Numa urbanização dos subúrbios de Madrid, Vallecas, foi construído um ecossistema urbano não evasivo que tem por objectivo a criação de condições bioclimáticas na sua principal alameda desde o início da sua ocupação e, desta forma, criar um local que propicie o intercâmbio social. No Eco Bullevar de Vallecas, enquanto as árvores plantadas não atingem um porte capaz de proporcionar as condições necessárias para o conforto ambiental, cujo tempo estimado é de 15 a 20 anos, foram construídas três “árvores de ar” que vão garantir esse conforto desde o primeiro momento.
A “árvore de ar” é um elemento multifuncional composto por uma estrutura cilíndrica, leve, desmontável, construída por materiais maioritariamente reciclados, energeticamente auto-suficiente (devido aos painéis solares fotovaltaico que coroam o topo da estrutura) e capaz de uma fácil adaptação climática às condições locais uma vez que nos seus quatro patamares interiores são colocados vasos com plantas já desenvolvidas.
O sistema de climatização passiva das “árvores de ar” baseia-se no arrefecimento por evapotranspiração, semelhante ao que ocorre nas estufas e que leva à redução da temperatura ambiente em cerca de 8-10ºC, criando espaços “onde se quer estar”, especialmente no tórrido Verão da Meseta Ibérica. O sistema entra em funcionamento quando um sensor detecta temperaturas acima dos 27ºC, fazendo com que o ar seja captado do topo para o interior das torres. Este caudal de ar atravessa uma “nuvem” de água atomizada (aspergida) e carrega-se de humidade, diminuindo deste modo a temperatura ambiente. A energia produzida pelos painéis solares fotovoltaicos e não consumida pelo sistema pode ainda ser vendida à rede eléctrica criando um balanço positivo revertido para os custos de manutenção.
Funcionam como uma “prótese” temporal que irá substituir a vegetação de grande porte até que esta se desenvolva, podendo ser facilmente removida no futuro criando clareiras no arvoredo e colocadas em outros locais onde sejam necessárias.
O projecto desenvolvido pelo gabinete de arquitectura Ecossistema Urbano, foi co-financiado pela empresa municipal de habitação de Madrid e pelo Programa Life da União Europeia.
Jardins de oliveiras móveis
É em Lisboa, na zona do Terreiro do Paço que se encontram estes coloridos “jardins” da autoria do artista plástico Leonel Moura.
Cada “jardim” é composto por uma estrutura, com formato semi-esférico e rodas na base, na qual há canteiros de oliveiras e de arbustos e um espaço de assento. O objectivo é proporcionar às pessoas um banco e uma sombra “verde” portátil para desfrutar do rio e da paisagem ou para apenas descansar depois de uma caminhada pela cidade. O conceito portátil permite não só a sua fácil colocação em diferentes locais das ruas e praças, mas também a possibilidade de juntar os “jardins” para que duas ou mais pessoas partilhem o momento, conversem ou tenham mais sombra.
Eco-cabana e posto de turismo
Junto do Parque Marechal Carmona, em Cascais, está instalada a Eco-Cabana que funciona como Posto de Informação de Turismo de Natureza de Cascais. Este projecto da Cascais Natura venceu o prémio “Ideias Verdes 2007", promovido pelo Expresso e pela Água do Luso, e o meio envolvente ao local onde está implantada, o prémio “Urba Verde 2010”, promovido pelo Jornal Arquitecturas, na categoria Espaços Públicos Exteriores de Equipamento.
A Eco-cabana é uma habitação modular ecológica que utiliza materiais reciclados ou recicláveis é alimentada exclusivamente por fontes de energia renováveis, é energeticamente eficiente e permite a racionalização do consumo de água e de energia através de um dispositivo electrónico, controlado pelo utilizador.
Possui 60m2 de área útil suspensos e perfeitamente enquadrados na envolvente paisagística com vegetação espontânea do Parque Natural Sintra-Cascais, cujo projecto transformou um espaço degradado num espaço de utilidade pública adequado à morfologia do terreno, preservou árvores e arbustos existentes e que está perfeitamente inserido na malha urbana.
O pavimento é em cortiça granulada para maior conforto dos visitantes e existem suportes de bicicleta uma vez que a Eco-Cabana está incluída na rede ciclável “BICas de Cascais”, por ser uma das portas de entrada Parque Natural.
No interior, a Eco-Cabana possui informação para os visitantes sobre a geologia, habitats, fauna, flora, paisagem, património e percursos do Parque Natural de Sintra-Cascais, na forma de painéis expositivos e do programa Cascais 3D, que permite uma visita virtual aos pontos de interesse.
Sombra solar
O VEIL Solar Shade (VEIL Sombra Solar), é um projecto conceptual inovador, desenvolvido pelo gabinete australiano Buro North para o Victorian Eco-Innovation Lab (VEIL).
O projecto, financiado pelo governo australiano, visa a integração da energia solar nos recreios das escolas primárias ao mesmo tempo que é proporcionada sombra para as crianças e introduzido o tema da energia na sua educação ambiental.
Dispõem de um ampla superfície de painel solar uni-direcional que é girado durante o dia pelas crianças para melhor se adequar a posição do sol. A marcação redor da base circular indica o melhor posicionamento para a captação de energia pela manha e pela tarde e os LED dispostos lateralmente no “poste” (entre a base e o “chapéu”) indicam em tempo real a quantidade de energia que está a ser recolhida. Assim, se a cor emitida pelos LED for verde, a orientação solar está correcta permitindo uma captação máxima, pelo contrário, se a cor dos LED for vermelha a orientação não é a mais correcta pois há pouca captação de energia.
De avião a banco de jardim
Os bancos de jardim Ec-O, são um conceito do arquitecto Steven Ma, professor na Universidade de Artes Aplicadas de Viena, que utiliza sucatas de avião na construção destes elementos vivos e auto-sustentáveis do mobiliário urbano para utilização pública, que permitem descansar os pés e fazer uma pausa, em contacto as plantas que neles vivem e crescem.
O Ec-O é construído com placas de bio-alumínio, material de grande resistência e longa duração, feito a partir peças retiradas de aviões em fim de vida, e com vidro reciclado sem aditivos ou corantes, que permitirão a certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) deste equipamento.
São ainda características a assinalar a recolha e filtração de água da chuva utilizada para o crescimento das plantas, a captação da luz solar através de películas fotovoltaicas, colocadas na parte superior da estrutura que geram electricidade capaz de iluminar a área durante a noite, e a possibilidade das plantas crescerem em torno da estrutura circular, que se estende ao longo de todo o assento, criando um dossel verde pendente acima do utilizador.
Estação de comboio relvada
Uma estação de comboios transformada num campo relvado é uma ideia que causará alguns sorrisos. Este foi o efeito causado nos milhares de passageiros que desceram dos comboios nas plataformas da estação de Britomart em Auckland na Nova Zelândia. Durante um dia, e com o propósito de uma filmagem para um anúncio comercial de uma marca de lacticínios neozelandesa, a Meadow Fresh, foram colocados 1.250m2 de relvado sobre o betão das plataformas que continuou a sua função de zona de estar, e de transferência, dos passageiros de, e para, os comboios, pois a estação permaneceu aberta.
Embora tudo tenha voltado ao normal, esta ideia “verde” seria capaz de transformar as estações de metro e de comboio das nossas cidades em espaços públicos mais confortáveis, relaxantes e naturais.
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