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19/07/2011
Piscinas Biológicas
Um mergulho com a natureza
Tomar um banho de piscina já não implica necessariamente "levar" com cloro ou ter uma casa das máquinas a consumir energia para fazer circular a água. Tratar a água de graça, utilizando a sabedoria natural e, de bónus, usufruir de uma água de qualidade, sem odores e sem irritações na pele ou nas vias respiratórias, são apenas uma pequena amostra da mais-valia das piscinas biológicas, locais onde somos apenas "seres vivos entre outros seres vivos".
Piscinas biológicas, uma solução sustentável
As piscinas biológicas, ou biopiscinas, são estruturas semelhantes a lagos ornamentais que utilizam um sistema de filtragem natural com substratos e plantas para o tratamento e depuração da água. Existem muitos tipos de piscinas biológicas, no entanto todas elas se baseiam no princípio de que as plantas aquáticas aceleram o crescimento de microrganismos benéficos que eliminam as bactérias e mantêm a piscina limpa, cumprindo os mais rígidos critérios de qualidade da água Europeus. Um processo baseado nos princípios de regeneração que tem a água num curso natural, onde podemos encontrar quedas de água e plantas ribeirinhas filtrantes, bem como toda a vida existente num lago ou curso de água em plena natureza.
Funcionamento de uma piscina natural
As piscinas biológicas apresentam duas zonas distintas: a de banho (ou natação), geralmente no centro da piscina e a que ocupa 1/3 a 2/3 do espelho de agua, e a de depuração (ou regeneração) na(s) bordadura(s).
Como o nome sugere, é na zona de depuração que a água é "limpa". O tratamento é realizado pela acção de plantas aquáticas e de microrganismos vivos que absorvem os materiais em decomposição e as bactérias, convertendo-os em matéria orgânica (nutriente fundamental para o crescimento vegetal) que, por sua vez, é absorvida pelas plantas aquáticas, providenciando assim uma água biologicamente pura, não esterilizada como acontece nas piscinas tradicionais à base de tratamentos químicos. Através da fotossíntese é também produzido oxigénio, essencial para manter a oxigenação da água e afastar os microrganismos "perigosos". Fundamentalmente, no seu conjunto, as plantas colocadas numa piscina biológica devem ser capazes de desempenhar 4 funções: oxigenação, assimilação de nutrientes, sombreamento e ornamental.
A área de natação co-existe com a área de depuração contactando entre si apenas por uma camada superficial de água e dependendo mutuamente para o balanceamento ecológico.
Construção e Manutenção

A tecnologia e o design natural das piscinas biológicas permitem toda a liberdade no seu design (tipo piscina tradicional, tipo lagoa natural, etc.), configuração, dimensão, profundidade, cor da tela, materiais de decoração e revestimento (tela, pedra, fibra, aço inox, …), etc. Adicionalmente as piscinas podem ainda incorporar sistemas de aquecimento, iluminação ou limpeza (semiautomática com robot integrado).

No aspecto, assemelham-se com as piscinas tradicionais. É mesmo possível reconverter uma piscina convencional numa piscina biológica, alterando o processo de tratamento da adição de cloro para a depuração biológica da água.

A área mínima para a implantação de uma piscina biológica é de 150 metros quadrados. A estrutura é simples feita através da aplicação de uma tela impermeabilizante sobre a área previamente escavada em patamares, onde irão ser posteriormente colocadas as distintas espécies de plantas. As margens são mantidas relativamente planas para que, com o vento, o movimento da água transporte as folhas secas e outros detritos que se vão acumulando, permitindo uma limpeza mecânica à custa das margens. São delimitadas as zonas de natação e regeneração, totalmente separadas e independentes. Nas margens, as extremidades da tela são cobertas com pedras, seixos ou outro substrato para protege-la dos raios ultravioleta e aumentar a sua durabilidade. A piscina é enchida na sua totalidade com água e posteriormente instaladas as plantas, criteriosamente escolhidas, atendendo às condições locais, clima e características da água. Primeiro as plantas na zona de depuração mais profunda, com recurso a mergulho, seguida da fixação das espécies escolhidas para as margens e da instalação das espécies flutuantes.

Uma vez construída a piscina, o equilíbrio biológico e o processo de enraizamento e crescimento das plantas ocorre naturalmente, sendo necessário apenas algum cuidado para não agitar a água em demasia durante os primeiros banhos, permitindo o fortalecimento das espécies instaladas.
Ao contrário das piscinas convencionais, a renovação anual do volume de água não é necessário, bastando apenas repor a quantidade de água que se evapora nos meses mais quentes (convém manter um nível médio de forma a promover as condições ideias para as plantas), manualmente ou através de um sistema automático que regula o nível da água. O esvaziamento de água em excesso (da chuva) pode ser feito através de um descarregador de superfície.
Apenas passados 3 a 4 anos é necessária a manutenção das plantas (antes deste período a manutenção é natural), através do seu corte antes do Outono para evitar a acumulação de biomassa em excesso. Não inclui a reposição pois a regeneração também é natural, sendo a maioria das espécies vivazes, retomando o seu aspecto na Primavera.
A remoção das algas que eventualmente se instalem na área de banhos é simples, bastando um simples camaroeiro ou um sistema de tratamento mecânico adequado.
Devido ao teor de calcário na água (principalmente nas zonas calcarias), pó, pólen e/ou matéria orgânica proveniente das plantas de folha caduca na vizinhança pode haver uma acumulação de sedimentos no fundo da zona de natação, sendo recomendada a limpeza regular com um aspirador de lamas para piscinas biológicas. Uma maneira expedita para confirmar se a água está em boas condições é “analisando” a turbidez. Para tal basta atirar um objecto para a zona mais profunda da piscina e verificar se o mesmo se consegue ver com nitidez.

Custos

O custo de instalação de uma piscina biológica é semelhante ao de uma piscina tradicional. Com custos a partir dos 15 000 para um projecto “chave na mão”, o valor em tudo depende da das condicionantes de implementação, tamanho da instalação, do grau de dificuldade do projecto e dos materiais e sistemas escolhidos. Com a base na informação da Bio Piscinas (ver secção Em Portugal) em média, o preço por metro quadrado construído varia entre €120 e €125 Euro, excluindo apenas o valor da água do primeiro enchimento.

No que respeita à manutenção, o custo é muito inferior ao custo imputado á manutenção de uma piscina tradicional pois não há necessidade de sistemas de filtragem e cloração para tratamento da água e respectivos consumíveis.

Vantagens e desvantagens

A boa qualidade da água sem a necessidade da adição de químicos e a economia da construção e manutenção são as vantagens que mais se destacam de um conjunto de argumentos que incluem também o facto de as piscinas naturais funcionarem como pólos de atracção da biodiversidade, serem facilmente integradas na paisagem envolvente, poderem ser usadas durante todo o ano (no Inverno, podem admitir um sistema de aquecimento), não precisarem de substituir anualmente toda a água e serem terapêuticas para a saúde e o bem-estar uma vez que contribuem para o equilíbrio humano em harmonia com a natureza.

Como pontos menos positivos destacam-se a temperatura da água que, por vezes, pode tornar-se demasiado elevada, contribuindo para o crescimento de algas. As folhas que caem à superfície, os sedimentos que se acumulam no fundo da piscina, o cuidado acrescido na entrada a banhos com cremes e protectores solares e os insectos, repteis e anfíbios que se passeiam alegremente pela zona da piscina.
Para facilmente “contornar” estas desvantagens basta aumentar a área de sombra sobre a piscina através da plantação de árvores e de arbustos na envolvente, de forma a evitar o excesso de temperatura da água. No que respeita às folhas e sedimentos a solução está na remoção dos detritos à superfície e limpeza regular do fundo. Quanto aos produtos gordurosos - “fenómeno” habitual mesmo nas piscinas convencionais - o “tratamento” inclui uma “chuveirada” com mangueira ou num duche de jardim para remover os resíduos de cremes e loções. Para os mais “sensíveis” aos pequenos animais importa saber que estes preferem a zona de regeneração pelo que normalmente “deixam” a zona de natação para nos podermos banhar à vontade.

Em Portugal

Em Portugal existe um número muito reduzido de piscinas naturais em comparação com outros países europeus. No entanto há várias empresas a operar no mercado e, a cada ano, vários projectos residenciais ou públicos (hotéis, municípios, etc.) que optam por esta alternativa sustentável.A Bio Piscinas e a Agrária Verde são dois exemplos de empresas que, em Portugal, concebem, desenham e implementam projectos de piscinas biológicas. Nos sites das respectivas é possível averiguar alguns exemplos de piscinas biológicas e entrar em contacto com as empresas de forma a esclarecer alguma dúvida ou orçamentar a sua piscina “de sonho”.
Projecto “chave na mão” com plano de manutenção ou apenas assessoria para construir, adquirir plantas, materiais e equipamento para a construção, são alternativas de serviços prestados pelas empresas especialistas.


(Imagens: www.biopiscinas.pt)


Piscinas convencionais, luxo com impacte no ambiente

A construção e manutenção de uma piscina convencional, para além dos elevados custos de construção e manutenção, têm impactes negativos para o ambiente, nomeadamente, o consumo e perdas de grandes volumes de água potável por evaporação, o elevado consumo de energia em piscinas aquecidas e/ou com recirculação, o impacto visual negativo na paisagem, a proliferação de microrganismos e algas que resultam de tratamentos ineficientes, a desinfecção da água à base de químicos tóxicos, entre outros. Constituem ainda um risco para a saúde pública, uma vez que, em excesso, o cloro e os outros produtos químicos utilizados na desinfecção são irritantes para a pele, olhos, cabelo e vias respiratórias.

O Programa Nacional para o Uso Eficiente da Água (Resolução do Conselho de Ministros n.º 113/2005), promovido pelo Instituto da Água (INAG), determina que as piscinas de uso doméstico sejam mais sustentáveis no que diz respeito à utilização da água. Para tal foram delineadas algumas medidas como a adequação de procedimentos em piscinas de forma a minimizar a frequência de lavagem de filtros e perdas por transbordo, a recirculação da água, a detecção e redução de perdas estruturais e nas tubagens, a redução de perdas por evaporação através da colocação de cobertura, a utilização de água da chuva e a proibição de utilização de água do sistema público de abastecimento no seu enchimento. Prevê ainda que, num futuro próximo, perante cenários de seca e carência de água, as piscinas sejam oneradas com impostos e taxas que as classifiquem como artigos de luxo, responsabilizando os cidadãos para a utilização de água potável em piscinas.


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