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23/06/2010
Cores à mesa
Comemore a agrobiodiversidade
A biodiversidade não se manifesta apenas na natureza. A riqueza e variedade das espécies cultivadas oferecem alimentos ricos em nutrientes que enchem as nossas mesas de cor. Comer diariamente alimentos de todos os grupos da roda dos alimentos e variar ao máximo, de preferência com alimentos adquiridos localmente, é promover uma alimentação saudável e equilibrada e contribuir para a agrobiodiversidade e para a sustentabilidade do planeta.
Agrobiodiversidade

Ao longo de milhares de anos, os agricultores que se fixaram nos diferentes locais do planeta promoveram a selecção e a diversidade das espécies alimentares adaptadas às especificidades do meio. Uma riqueza suportada na enorme base genética das espécies locais, que lhes permite a adaptação aos factores externos, como às variações climáticas e ao ataque de pragas e doenças, e que, por este motivo, levou a que tenham assegurado a alimentação dos nossos antepassados e que assegurem a das gerações actuais e futuras.
No entanto, e de acordo com um estudo da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), 90% a 95% das espécies e variedades agrícolas desapareceram nos últimos cem anos, como consequência da modernização da agricultura, das monoculturas, da generalização do uso de sementes híbridas, transgénicas ou geneticamente modificadas, das políticas de comercialização de sementes e dos hábitos dos consumidores.

Protecção e preservação
Hoje em dia, os “novos” hábitos alimentares baseiam-se num número de espécies cada vez menor, em alimentos provenientes de outros locais do mundo e fora de época. As consequências recaem, não só no meio ambiente, mas também na saúde, uma vez que a qualidade e valor nutricional dos alimentos é menor, e na agricultura local e tradicional, que perde competitividade e com ela as sementes de muitas variedades.
Atendendo a estas características de consumo, muitas das espécies portuguesas deixarão de existir à medida que as gerações de agricultores mais antigas vão desaparecendo, colocando em risco a agrobiodiversidade nacional.
Para combater este fenómeno a Associação Colher para Semear, promove a preservação das variedades tradicionais de produtos agrícolas, através da recolha, cultivo e cadastro das espécies; da formação e incentivo dos agricultores para a recolha, cultivo e troca das suas sementes; da consciencialização para a necessidade de uma maior diversidade alimentar e de uma culinária mais rica, atractiva e completa; da defesa da segurança alimentar; e da informação sobre a nossa “herança” vegetal.
Também o Banco Português de Germoplasma Vegetal, que funciona em Braga desde 1977, tem como missão a recolha e preservação das células genéticas (o germoplasma) das espécies portuguesas, para que possam ser usadas no futuro para recuperar certas variedades que se poderiam perder. Funciona ainda como Banco Mediterrânico de Milho e, nos últimos anos, passou a fazer também a recolha de germoplasma animal.
O que fazer como consumidor?
  • Produza e cultive as suas próprias sementes.
  • Promova a troca e partilha de sementes não híbridas com outros produtores.
  • Inscreva-se como sócio e apoie o projecto da associação Colher para Semear.
  • Compre produtos nacionais e da época, de preferência a pequenos agricultores ou provenientes de agricultura biológica.
  • Faça uma alimentação o mais variada possível introduzindo diferentes variedades de alimentos nos pratos confeccionados.
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Pela especialista Climénia Silva
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